SER BIBLIOTECÁRIO NO MÉXICO!: jogo de espelhos latino-americano?


Fernández de Zamora (1991) reconhece a profissão do bibliotecário no México como uma das mais antigas do país, apresentando parte de sua história e a existência de lugares que ordenavam e conservavam o códice antes da chegada dos espanhóis. O país abrigou a Primeira Biblioteca da América durante a conquista dos espanhóis, registrando-se à época métodos de classificação que, apesar de não serem uniformes, permitiram a organização de várias bibliotecas novo-hispanas. Há destaque neste período para o bibliotecário Fray Francisco de la Rosa Figueroa, responsável por organizar o catálogo da biblioteca franciscana em que trabalhava, através das categorias autor, título e assunto, além de indicar o lugar onde se encontravam os livros.

No século XVIII, ressalta-se a criação do estatuto da biblioteca Real y Pontificia Universidad, especificamente no ano de 1762, que relata deveres do bibliotecário do local. Este dizia que o bibliotecário deveria possuir um vínculo e receber os livros por inventário; caso desaparecesse algum o valor era descontado em seu salário e ao acontecer várias vezes o mesmo era demitido. Além disso, tinham como obrigação prestar assistência e manter a biblioteca aberta e deveriam varrer o local e limpar os livros, prestando contas ao reitor de todos os livros que estivessem danificados para ser feito o reparo.

No século XIX, com as revoltas conservadoras e liberais, as bibliotecas em geral viveram uma época de abandono. É a partir deste momento de crise que se desenvolve a luta pela profissionalização, com diálogos em toda a América Latina, incluindo o Brasil, que se desenvolverá ao longo do século XX. O modelo educacional adotado no ofício de bibliotecário no México, segundo Fernández de Zamora (1991), estará baseado na influência dos Estados Unidos.

Fernández de Zamora (1991) ressaltava, em sua reflexão histórica até os fins do século passado, que o México é um país de bibliotecas sem bibliotecários, pois houve um aumento significativo de instituições, porém, com redução proporcional ao número de estudantes de Biblioteconomia, deixando o cargo de bibliotecário para outras profissões que não possuíam nenhum preparo e sem um conselho de fiscalização da profissão, como há no Brasil. A problemática é, no entanto, apontada pela pesquisadora como fator comum em distintas tradições de formação biblioteconômica, somada às demandas urgentes e permanentes de revisão curricular diante das constantes transformações tecnológicas.

FERNÁNDEZ DE ZAMORA, Rosa Maria de. El oficio del bibliotecólogo. Investigación bibliotecológica, México, v. 5, n. 10, p.42-44, 1991.

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