Schéma: notas sobre o esquematismo no pensamento de Paul Otlet

O “esquema” no pensamento de Paul Otlet (1934) aparece sob diferentes configurações. Em um primeiro momento, trata-se de um “elemento do livro”, entendido como sinônimo de diagrama e conceituado como “reprodução abstrata” (p. 46). Em segundo lugar, o “esquema” é tomado como um elemento gráfico e, mais especificamente, como um “signo”.

Tomando o livro como expressão do pensamento através dos signos, o “esquema” trata-se de uma espécie de signo, assim como notações alfabéticas, signos convencionais, ideogramas. (p. 56). Otlet aproxima aqui o “signo esquema” do “tableau synoptique” e das “notações modernas da Química”.

Outra visão otletiana está em relacionar o “esquema” no contexto da procura pelas “notações universais” (línguas artificiais ao mesmo tempo dinâmicas e flexíveis, formais e práticas). Junto da classificação, este “esquema” traria uma contribuição sem precedentes para a ciência, como o caso dos desdobramentos do pensamento de Einstein. (p. 76).

O “esquema” também está, em Paul Otlet (1934), no domínio da Ilustração do livro, ou seja, nas “imagens esquemáticas”, aproximadas no pensamento do autor dos “motivos decorativos”. (p. 76)

Ainda, o pensamento de Otlet (1934) nos traz as “imagens esquemáticas”: distintas das imagens que buscam a “representação real”, como imagens físicas e concretas, existem aquelas que trazem “figuras ideológicas”, imagens intelectuais e abstratas. O advogado belga percebe a passagem das primeiras imagens para as segundas de forma imperceptível. (p. 78) As imagens esquemáticas compreendem os esquemas propriamente ditos, os gráficos e diagramas. (p. 79)

A arte de estabelecer esquemas é reconhecida por Paul Otlet (1934) como esquemática. Tratar-se-ia de um ramo científico da Bibliologia. Ela é, pois, a teoria da compreensão e da exposição (explicação) metódica dos conhecimentos científicos. (p. 79).

Paul Otlet (1934) chama a atenção para uma “marcha progressiva” de construção de uma “língua esquemática comum” que consiste: a) encontrar uma expressão diagramática da exposição de todas as ideias; b) obter um acordo coletivo dos esquemas; c) fazer que o esquema coletivo indique um trabalho novo. (p. 79-80)

Algumas fontes

ESTIVALS, Robert. Theorie lexicale de la schematisation. Schéma et schématisation: revue de schématologie et de bibliologie, n. 52, p. 5-72, 2000.

OTLET, P. Letter from Paul Otlet, 24 march 1895. In: VANN, S.K. Melvil Dewey: his enduring presence in Librarianship. Littleton (Colorado): Libraries Unlimited, 1978a. p. 189.

PEIGNOT, G. Dictionnaire raisonné de bibliologie, tomo I. Paris: Chez Villier, 1802a.

SALDANHA, G. S.. O esquema e as formas simbólicas: uma 'arqueologia filosófica' do esquema no pensamento bibliológico. Tempo Brasileiro, v. 203, p. 79-102, 2015.

Posts Em Destaque
Posts Recentes
Arquivo
Procurar por tags
Siga
  • Facebook Basic Square
  • Twitter Basic Square
  • Google+ Basic Square

© 2013 Ecce Liber: Filosofia, Linguagem e Organização dos Saberes. Desenvolvedor: Diogo Xavier da Mata.

Centro de Estudos Avançados em Ciência da Informação e Inovação (CENACIN - IBICT)

CAPES - CNPq - FAPERJ