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Livros acadêmicos: a importância da cultura epistêmica para o desenvolvimento de técnicas de avaliação

December 2, 2019

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Todorov, Mário Ferreira e a condição simbólica da teoria da informação: achegas

13 Oct 2017

Junto da perspectiva de Cassirer das Formas Simbólicas, encontramos no estudo do simbólico as visões de Mário Ferreira dos Santos (2007), em seu “Tratado de Simbólica” e Tzvetan Todorov (2014), em “Simbolismo e interpretação”, para demonstrar as condicionantes mais definitórias da construção simbólica do ser e de seus artefatos.

O percurso nos interessa para reposicionar o pensamento de Ernst Cassirer e suas possibilidades de compreensão dos movimentos diacrônicos e sincrônicos de compreensão tanto da epistemologia quanto da historiografia da Ciência da Informação.

 

Para Santos (2007, p. 45), “Todos os grandes fundadores de religião foram amados, compreendidos, porque falaram em símbolos, eterna linguagem criadora”. Além disso, “[...] toda a natureza, em sua linguagem muda, expressa-se através de símbolos, que o artista sente e vive, que o filósofo interpreta, e o cientista traduz nas grandes leis que regem os factos do acontecer cósmico”.

 

Na “cosmologia” santosiana, a Simbólica é o “estudo da gênese, desenvolvimento, vida e morte dos símbolos”. Aqui, o símbolo é encarado como “modo de significar do ente, que se se refere a algo”. Neste sentido, símbolo é definido como “subcategoria dos seres finitos, que apresentaria características similares à de valor. Seria uma das categorias intensivas, que não se devem confundir com as categorias extensivas da filosofia clássica.” (SANTOS, 2007, p. 46)

 

Como ciência, o domínio em questão é tomado por Santos (2007) como Simbologia, ciência do símbolo, que pode ser demonstrada em sua existência a partir dos princípios escolásticos de definição disciplinar-científica, com a necessidade de apresentação de um triplo objeto: material, formal-terminativo e formal-motivo.

 

O objeto material responde pelas “coisas finitas, reais ou ideias”; o objeto formal-terminativo, responde pela “formalidade ou perfeição considerada ou estudada pela ciência”, no caso, a “referência simbólica”, o “simbolizado”, ou seja, a “significabilidade dos seres finitos, reais-reais ou reais-ideais”; o objeto formal-motivo, responde pelo “instrumento pelo qual uma ciência considera o seu objeto formal”, no caso, o “símbolo”, o “referente enquanto tal”. (SANTOS, 2007, p. 47)

 

Segundo Todorov (2014), podemos começar a tecer uma visão sobre o “simbólico” a partir do estudo do “discurso”, separando-se este em “direto” e “indireto”. O escopo dos sentidos indiretos cobriria a gama de elementos que podem ser reunidos no conceito de “simbolismo linguístico” ou de “simbólica da linguagem”. Tal produção “indireta” do discurso está presente, segundo o ponto de vista de Todorov (2014, p. 14), “em todos os discursos, talvez dominando inteiramente alguns deles, e não os menos importantes: assim ocorre com a conversação cotidiana ou com a literatura”.

 

Para o pensamento todoroviano, pode-se identificar duas “recusas” do simbólico, vislumbradas basicamente na crítica à oposição entre um discurso direto e outro, indireto. A primeira recusa responde pela não afirmação da condição simbólica do discurso, a partir da força da relação entre sintaxe e semântica. A segunda recusa trata-se de radicalizar a relação dicotômica, afirmando apenas a condição de existência do discurso indireto (que abarcaria o discurso direto). Nos dois casos, a metáfora tem papel central: na primeira crítica, trata-se de afirmar a anulação da metáfora; no segundo tópico crítico, trata-se de afirmar, como no sentido nietzschiano que só existe a metáfora, sendo o resto ilusão. (TODOROV, 2014)

 

Para aquém desta dicotomia, nem tão nietzschiano, nem tão semanticista, Todorov (2014, p. 17) afirma “acreditar na existência dos fatos simbólicos”. Em seu ponto de vista, faz-se necessário compreender que as diferenças radicais indicadas não reduzem o papel do simbólico no construto do real. Ao contrário, nos transporta para a compreensão de um “real” condicionado pelas formas e formações simbólicas, o que nos reconduz à Cassirer.

 

No filósofo do homo simbolicus identificamos a percepção de um estado tal de realidade estabelecido por macro-formações, como arte, linguagem, mito, religião, que conformam o que é-nos dado, reconfigurando não só o aparente, mas também ele, o próprio “dado”.

 

Algumas fontes

 

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