Exchange libraries: perspectiva grega de um fenômeno global

Consideradas como forma de ação democrática, estímulo à leitura e à educação e oportunidade de estabelecimento e fortalecimento de relações sociais, os projetos de troca de livros genericamente nomeados como exchange libraries são apresentados por Bikos e Papadimitriou (2017) em um artigo em que consideram aspectos deste tipo de prática nos contextos global e específico da Grécia.



Segundo os autores, o crescimento destes movimentos de troca de livros na Grécia coincide com um período marcado pela crise econômica naquele país e por isso, em parte, tal aumento pode ser considerado como uma resposta às crises que têm emergido na sociedade moderna. Contudo, ainda segundo Bikos e Papadimitriou (2017, p. 35), indivíduos com um nível de educação considerável compõem os perfis daqueles que usufruem deste tipo de “biblioteca”.


Os autores gregos (2017) demonstram a importância e a amplitude do fenômeno ao apresentar projetos de exchange libraries bem sucedidos surgidos ainda nos anos 2000, como as Little Free Libraries (LFL), originadas nos Estados Unidos. Os números apresentados são notáveis: em 2015 estimavam-se 25.000 LFLs registradas em todo mundo, tendo este número saltado para 36.000 em 2016. Projetos de estantes de livros públicas presentes principalmente no norte da Europa, como o Open Library – que remonta a década de 1990 – também contam com um número de registros crescente, tendo saltado de 701 public bookcases em 2014 para 2.314 em 2016.

Também digno de menção é o impressionante projeto nomeado Book Crossing, caracterizado pelo registro de livros no site do Book Crossing e pela posterior disponibilização dos mesmos em pontos pré-determinados para tal finalidade ou mesmo ao acaso em espaços públicos, como por exemplo em meios de transporte coletivos. A ideia deste movimento é que a pessoa que encontre um livro do projeto utilize o número de identificação gerado e atribuído ao mesmo para acessar o site e fazer uma espécie de “entrada de diário” que permita o acompanhamento da trajetória do livro. Segundo o site do Book Crossing no Brasil, o movimento está presente em 132 países, conta com cerca de 1,6 milhão de usuários e mais de 11 milhões de livros registrados (BOOKCROSSING, 2017).


De simples estantes de livros disponibilizadas em áreas de uso comum a “bibliotecas” de uso livre e gratuito, estabelecidas e mantidas pela comunidade, subsidiadas por instituições públicas ou patrocinadas pelo setor privado, os movimentos de trocas de livros apresentam-se como práticas sustentáveis e democráticas (BIKOS, PAPADIMITRIOU, 2017) que tem contribuído cada vez mais para a circulação do conhecimento e o fortalecimento de hábitos de leitura em âmbito global.


BIKOS, Georgios; PAPADIMITRIOU, Panagiota. Exchange libraries: Greece’s response to a global trend. Library Review, v. 66, n. 1/2, 2017, p. 28-38.


BOOK CROSSING BRASIL. Disponível em: <http://www.bookcrossing.com.br/home/o-que-e-o-bookcrossing/>. Acesso em: 30 out. 2017.

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