A luta continuará: Ciência da Informação e revolução social

Diários da travessia... dados e fatos do decurso de uma pesquisa...

A pergunta de Robert Estivals, já ao cair da noite, em julho de 2014, era simples... Por que Dilma Rousseff cedia à pressão neoliberal do mercado financeiro? Não... A pergunta, na tradução literal, era mais clara: Por que Rousseff é "de direita"? A resposta era e é complexa... O retorno dos conservadores em seu avanço assassino contava com acordos assustadores "à esquerda", no curso da potencialidade de destruição completa das migalhas progressistas lançadas na América Latina, como também no resto do mundo, nas últimas décadas.

Contudo, talvez as margens (e não o leito) das verdadeiras conquistas ainda em aberto de François Hollande e seu destino na política francesa nas eleições que viriam nos ajudassem a iniciar um diálogo... Não para uma resposta definitiva. Tratar-se-ia de uma abertura à janela macabra do amanhã. O futuro imediato nos demonstrou o mal... Trump... Temer... Macron...

E como a informação, o livro e o documento poderiam agir agora? A minha pergunta também procurava uma solução ou nos colocava em um ponto de fuga? A entrevista de cerca de uma hora, recém-concluída, nos dava a segurança leve e sustentável, sim, da esperança: a epistemologia como luta, a luta como uma racionalidade socialmente fundamentada. Estética e verdade na palma da mão que se mantém aberta para a tolerância e a igualdade.

Esse nada mais era que o percurso do homem que conviveu com Elena Savova e traduziu Roubakine, o homem que abriu um vasto território "dialógico de diálogos" com o Leste Europeu durante a Guerra Fria e com a África francófona. A certeza de tal esperança se colocava, pois, como a abertura epistemológica da Ciência da Informação contra uma leitura neoliberal e unívoca do real.

Os olhos podem mirar outras paisagens. A procura por um certo esquema, o esquema simbólico da Bibliologia, ou o esquema bibliológico da Esquematização, nada mais era que a prova da construção dialética e crítica do campo informacional nos últimos 50 anos. No entanto, sem negar quaisquer etapas da luta progressista e e suas correntes contrárias. Todo o mito da neutralidade semântico-pragmática de uma teoria mecanicista da informação também estará aqui repertoriado, porém em seu devido lugar de abuso a-crítico da consciência social.

As mais de dez mil páginas redigidas em vida por Gabriel Peignot e as ações políticas resultantes na teorização de Paul Otlet, sob a influência do sonho da democracia dos saberes peignotiana, são parte do castelo sociocrítico de uma teoria geral do campo informacional formalizadas por Robert e seus colaboradores a partir de 1968... 1968... 1968... um ano no espelho do passado ou do futuro: uma carta de esperança sobre ontem, o hoje (o hoje aqui-agora, o instante abjeto que nos assalta) e o amanhã...

Diz-nos Estivals que a introdução do esquema bibliológico das estruturas sociopolíticas e da luta de classes nos permitirá ver as consequências do papel da "inteligência pequeno-burguesa" em todos os lados, em todas as nossas potenciais janelas de compreensão dos dilemas (falsificados, violados, deturpados) do real. E aqui voltaremos a compreender uma epistemologia tecida no sonho da Revolução Russa, influenciadora de Paul Otlet e marca central, na leitura epistemológico-histórica estivalsiana, de nossa cientificidade no campo informacional: a obra e pensamento de Nicolas Roubakine.

Pelas lentes do esquema bibliológico da Ciência da Informação problematizada por Robert Estivals podemos acreditar que o rápido decepar das vitórias sociais, tão duramente conquistadas nas últimas décadas, terá sua torção no curso de nossas ações epistêmico-críticas: o fim da democracia é a utopia que estabelece suas revoluções internas; sua teleologia é acreditar que podemos viver no mundo das diferenças, sem golpes, sem assassinatos, sem pós-verdades.

Para Elena Savova e Marielle Franco

Algumas fontes

ESTIVALS, Robert. [Notas de entrevista]. Julho. 2014.

ESTIVALS, Robert. Les écoles du schématisme et de la schématologie: l’histoire du schématisme II. Paris: L’Harmatan, 2007.

ESTIVALS, Robert.Le signisme: l’histoire du schématisme I. Paris: L’Harmatan, 2005.

ESTIVALS, Robert.Le schématisme. Noyers-sur-serein (França): Société de Schématologie et de Bibliologie, 2002.

ESTIVALS, Robert.Theorie lexicale de la schematisation. Schéma et schématisation: revue de schématologie et de bibliologie, n. 52, p. 5-72, 2000.

ESTIVALS, Robert. Les sciences de l’écrit: encyclopédie internationale de Bibliologie. Paris : AIB; Retz, 1993.

ESTIVALS, Robert.La schématisation mémorielle. Schéma et schématisation, n. 1, p. 47-49, 1968a

ESTIVALS, Robert. Prospective, méthodologie et théorie de la schématisation. Schéma et schématisation, n. 52, p. 58-63, 1968b.

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