Entre a cidade e os livros... no labirinto dos catálogos da Biblioteca Pública da Cidade de São Paul

Como pensar o desenvolvimento da cidade diante dos livros? Como projetar o desenvolvimento dos livros e suas bibliotecas no contexto social, político e econômico da cidade? Como cultura e bibliografia dialogam na invenção do espírito urbano? A dança dos catálogos e sua expansão podem nos trazer inúmeras janelas para reconhecer hipóteses para tais respostas... Eis um exemplo a partir da Biblioteca Pública da Cidade de São Paulo... "Embora o diretor exagere nas colocações pouco festivas, fazendo, inclusive, críticas duras ao quadro geral da sociedade, bem no clima da campanha republicana que não demoraria a colocar abaixo a monarquia brasileira, ele nos oferece, todavia, uma ideia da importânc

Da crítica da cultura na Ciência da Informação... notas simbólicas

Reconhecidas as torções do neodocumentalismo a partir dos anos 1990, retomamos a pergunta, “Como pensar o desafio cassireriano da passagem de uma “crítica da razão” para uma “crítica da cultura”? Lançamos aqui duas hipóteses gerais: a primeira, a construção do projeto bibliológico por Robert Estivals e sua participação na “terceira geração bibliológica” (ou seja, a geração que sucede Peignot e Otlet e que tem sua grande fase de produção entre 1960 e 2000). Ali, ciência e cultura se interpenetram. A segunda hipótese está na vinculação retórico-filológica do pensamento informacional na posição epistemológica de Rafael Capurro (1992). Uma espécie de reconstrução culturalista da noção de informa

Experiências de leitura em comunidades multiculturais: um estudo canadense

A multiculturalidade se apresenta como uma questão contemporânea de grande relevância em um momento marcado por interações culturais frequentes e intensas e também por conflitos que surgem como desdobramento de tais contatos. Neste contexto, ou seja, em meio às sociedades para onde convergem inúmeros indivíduos provenientes dos mais diversos países e que carregam as mais variadas bagagens culturais, neste pano de fundo também se inserem e se desenvolvem as práticas bibliotecárias. Dali (2016) fornece seu ângulo particular para a observação das práticas de leitura no contexto das sociedades multiculturais, destacando a relevância das experiências individuais nos estudos no campo da leitura. P

ÓrbitaLIS n.25: Letramento Global

A princípio, nada foi planejado. Cada homem tinha um livro de que desejava se lembrar e se lembrou. Depois, durante um período de cerca de vinte anos, fomos nos encontrando, em viagens, e passamos a estreitar a rede frouxa e a definir um plano. A coisa mais importante que tínhamos de incutir em nós mesmos foi que não éramos importantes, não devíamos ser pedantes; não devíamos nos sentir superiores a ninguém mais no mundo. Não somos nada além de capas empoeiradas de livros, sem nenhuma outra importância. — Ray Bradbury ([1953]* 2003, p.188) "Uma proposição que emana de mim — tão, diversamente, citada em meu elogio ou por censura — reivindico-a com aquelas que se comprimirão aqui — sumária qu

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Destaque da semana 'O Hobbit' completa 80 anos, com direito a crítica escrita por C.S. Lewis em 1937 Há 80 anos, o escritor britânico J.R.R. Tolkien, autor da série de livros "O Senhor dos Anéis", publicava "O Hobbit", embrião da famosa saga de Frodo, que se tornaria um dos trabalhos mais populares da literatura do século XX. A publicação de "O Hobbit" é permeada de curiosidades, que vão desde as mudanças que "O Senhor dos Anéis" provocou em sua história original até as críticas que recebeu após ser publicado. A primeira crítica feita para a história de Bilbo veio antes mesmo de sua publicação, em 21 de setembro de 1937. O autor: um menino de dez anos de idade chamado Rayner Unwin. Filho do

Economia política da epistemologia através dos sistemas bibliográficos... por Gustavo Saldanha e Ley

Eis, pois, uma economia política da epistemologia em sua dinâmica de lutas: os enunciados que demarcam macro-conceitos evidenciam a disputa entre o discurso sobre as ciências, as ciências do discurso e as ciências proprietárias do discurso... "Mesmo com a ausência inicial de alguns dados aqui e acolá nas descrições dos sistemas, a temporalidade (idade dos sistemas), a tipicidade (das ciências), a autoridade (classificacionistas), a exaustividade (extensão das divisões científicas), a contiguidade (relação entre as ciências), a sistemática (o método classificatório) e a esquemática (visualização dos dados) são elementos que convidam à possibilidade de estudos aprofundados sobre a relação entr

A fundamentação simbólica da Ciência da Informação

"Os fatos do acontecer são sempre simbólicos, pois o acontecer é sempre símbolo das leis universais que o homem, bem ou mal, capta; são símbolos da lei da alternância, são símbolos, afinal, do cósmico, com o qual, teológica e religiosamente, as religiões constroem a sua simbólica." (SANTOS, 2007, p. 148) Entre os dias 03 e 07 de junho de 2015, na Áustria, realizou-se o 4º ISIS Summit Vienna 2015 – The information society at the crossroads: response and responsibility of the Sciences of Information. Na ocasião, Rafael Capurro (2015) reafirmou o decurso filológico-filosófico de sua argumentação filosófica, reencontrou Aristóteles e os desdobramentos de seu De anima, o mesmo filósofo quem “visi

Todos os sistemas: Condillac e a organização do conhecimento por Gustavo Saldanha & Leyde Klebia

A invenção linguística dos processos classificatórios tem em Condillac um marco, talvez superior ao prelúdio de Bacon. O papel da noção de sistema se coloca como fundacional, forma de dizer e de constituir a racionalidade empírica. "A 'língua-analítica' de Condillac representa, pois, a infraestrutura, a estrutura e a aplicação de um sistema. Este nada mais é do que o arranjo dos diferentes elementos de uma arte ou de uma ciência numa ordem que os torna mutuamente dependentes, um reflexo do classificar. Os elementos primários levam e explicam os últimos. Aqueles que explicam os outros são chamados princípios, e o sistema é tanto mais perfeito quanto os princípios são menos numerosos: é até de

Da bibliossociometria à etnobibliografia...

O que é etnobibliografia? Procuramos, de um modo, reunir a abordagem em uma definição sintética; de outro, caracterizar as potencialidades da abordagem e de seu método. Como destaca Calil Júnior (2008), reconhecendo algumas das categorias centrais da experiência do trabalho etnográfico, elementos conceituais como cultura, escrita etnográfica, alteridade se encontram na centralidade das abordagens antropológicas. Em certa medida, estes elementos sintetizam o que procuramos destacar como etnobibliografia a partir do reconhecimento de uma certa “cultura” constituída na dinâmica dos gestos e dos artefatos bibliográficos. A abordagem teórica privilegia, pois... a) uma epistemologia histórica, don

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Destaque da semana Tolstói como nunca visto antes Autor russo passava grande parte de seu tempo ao ar livre e escrevendo de sua propriedade rural. Veja fotos de momentos pouco conhecidos da vida de Tolstói, que inclui o tempo que passava com seus familiares, sozinho ou na companhia de camponeses. Gazeta Russa - 11.09.2017 Ásia Discarded ships in Hainan become ‘offshore library' Três navios descartados na Xidao Island, província de Hainan, na China, foram transformados em uma "biblioteca offshore". De acordo com Qin Jiayi, responsável pela iniciativa, essa é a primeira biblioteca pública na ilha. Atualmente, compreende cerca de 2.000 livros e Qin planeja duplicar a coleção. A ilha é uma famos

Diacronia e instabilidade epistemológica: a Bibliografia no espelho por Alberto Salarelli

Uma epistemologia geral, pós-especulativa, sobreviveria hoje sem uma epistemologia da Bibliografia? Parece-nos que a condição web-humana ocidental não conseguiria dizer "não" para a indagação. E o argumento negativo, por sua vez, soaria minimamente contraditório diante da paixão por suportes móveis e pelas redes sociais. Como então responder pela Bibliografia enquanto episteme... e quais respostas ela nos daria em sua historicidade... Diacronia e sincronia se abraçam nesse dilema ético? "O fator consubstancial, por outro lado, se obtém na vicissitude diacrônica da bibliografia, marcada por uma recorrente ansiedade de desempenho perante a tarefa que ela mesma se atribuiu e de uma relativa e

Corpus inscriptionum & etnobibliografia: o grafito do traço na narrativa do outro

O que chamamos de diálogo entre as “hipóteses” mallarmaico-blachotianas e melot-taffinianas é resultado de um modo de apreensão da realidade sócio cultural específico, o qual tratamos como etnobibliografia. O confronto das “hipóteses” estabelece a reflexão sobre o profundo enraizamento na cultura bibliográfica não só do Ocidente moderno, como em sua travessia na Antiguidade e no Medievo, e bem como seu poder nas civilizações orientais. Mallarmé (2010) e a interpretação mallarmaica tecida por Blanchot (2005) demonstram a condição da potência (não inovadora) do livro como signo de uma civilização muito mais ampla que a própria “ideia compacta” de uma civilização, ao mesmo tempo em que demonstr

Neg-entropia e a falha digital: a Bibliografia e a grande fenda por Alberto Salarelli

Uma epistemologia da Bibliografia vigente se pergunta pela falha digital: estamos diante da matriz das ciências neguentrópicas? Qual o papel da Bibliografia na era digital? Morte ou vivacidade extrema? Da revisão epistemológica ao papel do conceito de documento, Salarelli mergulha na grande fenda do universo digital através da historicidade do pensamento bibliográfico... "Como todas as disciplinas que, historicamente, individualizaram como finalidade de sua existência a função de preservação da memória coletiva e a preparação de instrumentos aptos ao seu uso com a maior eficiência possível, a bibliografia vive, hoje, uma fase de crise profunda. Essa crise se determina por dois fatores: enqua

Etnobibliografia: na carne do livro aberto...

As fotografias taffinianas acompanham o projeto “Livro,” de Melot ao longo da arquitetura do discurso que se estabelece no texto: da folha de guarda que “preserva” a falsa folha de rosto, ao desdobrar-se da cadeia de reflexões, aparentemente lineares, as imagens ajudam a contar a cultura que se revela na passagem do gráfico para o bibliográfico, figurando-se entre “E o verbo se fez livro...”, “Assim pensa a dobra”, “O adeus ao verbo”, “A quadratura”, “Profetas e mercadores”, “No país da página”, “O amor e o ódio”; “Os livros que não se leem”; “A carne e o fim”. Figura 1. Amostra de fotografias de Nicolas Taffin Fonte: MELOT, Michel. Livro,. Cotia (SP): Ateliê Editorial, 2012 Nicolas Taffin é

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Destaque da semana The women who rode miles on horseback to deliver library books Na década de 1930, elas eram conhecidas como as "book women" (mulheres-livro). Elas montavam seus cavalos, normalmente de madrugada, para trilhar seus caminhos pelas encostas repletas de neve, bem como pelos córregos cheios de lama, com um único e simples objetivo: entregar livros para as comunidades isoladas de Kentucky, nos Estados Unidos. A "Pack Horse Library" fazia parte das iniciativas criadas, no governo do Presidente Franklin Roosevelt, para tentar tirar o país da Grande Depressão de 1929. Bibliotecas itinerantes, sobretudo as que se constituíam por meio de cavalos, não eram uma novidade em Kentucky; co

Loci communes: o método de indexação de Gesner por Andre Araújo

Em quantas dimensões podemos afirmar, como o fez Capurro, que a Retórica é a disciplina maior dos estudos informacionais? As constatações são inúmeras, no plano filosófico e no plano empírico. Eis aqui mais uma demonstração advinda de Andre Araujo. "O que se observa aqui, é que Gesner adota um método comum no Renascimento, ou seja, o método dos Loci communes, que é, ao final, um método de leitura e de armazenamento de informações. Em uma concepção documentalista pode ser entendido como um método de indexação, posto que ocorre a extração de termos de um conjunto documentário e a sua representação por meio de palavras. Neste método, são selecionadas as passagens de interesse, ligadas às retór

Da hipótese mallarmaico-blanchotiana

[...] não manteria o leitor em alerta, a duração do livro, com apelo a seu poder de entusiasmo. [...] (MALLARMÉ, 2010, p. 184) O poeta e teórico da literatura francês Mallarmé é conhecido por sua transformação da literatura e pelas propostas radicais para a escritura e seu método. A interpretação de Maurice Blanchot do pensamento mallarmaico recupera algumas noções centrais para a discussão do desdobramento do mundo informacional no século XX, ainda que seu intuito esteja na crítica literária, ou seja, no território da estética e seu discurso. “O Livro: o que significa essa palavra para Mallarmé?”, pergunta-se Blanchot (2007, p. 327). "A partir de 1866, ele sempre pensou e disse a mesma cois

“É maravilhoso... brincar de ver”: história comparada e perspectivismo disciplinar

Nascida do anseio de comparar nações ou civilizações, com vistas a ultrapassar os limites estreitos da antiga história política ancorada nos nacionalismos que haviam conduzido a humanidade aos conflitos mundiais, a história comparada parece ter conquistado no decorrer de seu desenvolvimento uma gama bem maior de âmbitos passíveis de comparação: a região, os ambientes sociais, os processos econômicos ou políticos, as instituições, os repertórios do imaginário, ou mesmo, retomando um antigo gênero criado na antiguidade por Plutarco, as vidas comparadas. José D’Assunção (2007, p. 310) No “multiquadro” contemporâneo, a história comparada representa um dos mais frutíferos movimentos da teoria da

ÓrbitaLIS n.24: Ciência Cidadã

A liberdade, a prosperidade e o desenvolvimento da sociedade e dos indivíduos são valores humanos fundamentais. Só serão atingidos quando os cidadãos estiverem na posse da informação que lhes permita exercer os seus direitos democráticos e ter um papel activo na sociedade. A participação construtiva e o desenvolvimento da democracia dependem tanto de uma educação satisfatória, como de um acesso livre e sem limites ao conhecimento, ao pensamento, à cultura e à informação. — Manifesto da IFLA/UNESCO sobre bibliotecas públicas (1994) Hackerspaces, ciência cidadã e ciência comum: apontamentos para uma articulação O artigo de Beatriz Cintra Martins discute as especificidades da ciência aberta, ci

Da botânica à bibliografia: Gesner por Andre Araújo

A travessia ocidental do pensamento gesneriano não oferece nenhuma facilidade ao leitor acostumado a demarcações disciplinares. Pensar complexo presente na vasta heterogeneidade do Quinhentos, seus estudos compreendem pesquisas nas fronteiras e no coração de saberes aparentemente antagônicos. Ciências humanas e exatas se entrecruzam, e o conhecimento se torna múltiplo, sem se confundir. "Investigar a faceta bibliográfica de Conrad Gesner (1516-1565) nos permite justamente este atravessamento, uma vez que o seu gesto bibliográfico representou mudanças nas formas de produção, seleção, organização e mediação documentária na Europa Moderna. Ainda, não é exagero afirmar que a difusão da Ciência M

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