A loucura e os limites da organização do conhecimento

A classificação e as práticas modernas de organização do conhecimento (OC) podem ser identificadas, no sentido polissemântico, em diferentes saberes. A configuração epistêmica e distintiva adquirida no contexto de uma epistemologia histórica da Ciência da Informação (CI), marcada por um processo de institucionalização de disciplinas, grupos de trabalho, associações científicas, pode, ela própria, clarificar a extensão e a exaustividade sempre parcial da condicionante conceitual e das múltiplas disciplinas interessadas nos métodos e nas práticas que se questionam pelas ações de classificar e de organizar. Em outras palavras, o próprio desenvolvimento da OC no contexto da CI demonstra, em seus

Da arte de indicialização em Conrad Gesner por Andre Araujo

IV Seminário Internacional A ARTE DA BIBLIOGRAFIA 08 de dezembro de 2017 - Vitória (ES) RESUMO DAS PALESTRAS De indicibus librorum: a arte de indicialização em Conrad Gesner Andre Vieira de Freitas Araujo (UFRJ) Leitura histórica de De indicibus librorum - seção constituinte das Pandectae (1548) de Conrad Gesner (1516-1565) - que versa sobre os critérios e a estrutura dos índices. Situa os problemas histórico-documentários que teriam conduzido à construção de índices de/para eruditos na Europa Moderna. Apresenta as motivações, procedimentos e técnicas (como ordenação e codificação) adotadas por Gesner para construção de índices de livros e os exemplifica.

Epistemologia da Bibliografia entre Estivals e Meyriat por Gustavo Saldanha e Viviane Couzinet

IV Seminário Internacional A ARTE DA BIBLIOGRAFIA 08 de dezembro de 2017 - Vitória (ES) RESUMO DAS PALESTRAS A fundamentação epistemológica da Bibliografia entre Robert Estivals e Jean Meyriat: notas de um discurso francês Gustavo Saldanha (IBICT-UNIRIO) Viviane Couzinet (Université Paul Sabatier – Toulouse – France) A construção dos modos de categorização da bibliografia na epistemologia informacional. O papel da epistemologia histórica. A luta bibliográfica da Bibliografia (a traição das classificações). A longa tradição epistemológica francesa sobre o discurso bibliográfico. As visões e as torções iniciais de Gabriel Peignot e Paul Otlet. A Bibliografia no tempo da institucionalização epi

Branquitude e o mito da democracia racional: o bibliotecário e as lutas da crítica informacional

A construção da Branquitude aconteceu durante os processos históricos ocorridos no mundo como a escravidão, o tráfico de africanos, a colonização e a construção de nações e nacionalidades na América e a colonização da África. A Branquitude acontece quando “os brancos tomam sua identidade racial como norma e padrão, e dessa forma outros grupos aparecem, ora como margem, ora como desviantes, ora como inferiores” (SCHUCMAN, 2014, p. 46). Conforme Cardoso (2011, p. 81), “a branquitude, ou identidade racial branca, se constrói e reconstrói histórica e socialmente ao receber influência de escala local e global. Não se trata de uma identidade racial homogênea e estática”, pois ela se modifica ao lo

Do movimento negro à inclusão das temáticas africana e afro-brasileira na formação em Biblioteconomi

A luta pelo (re)conhecimento da história e cultura dos afrodescendentes no Brasil se constituiu historicamente em diferentes marcos. Embora o movimento negro exista desde o período da escravidão, foi a partir da década de 1970 que estes movimentos sociais trouxeram a questão étnico-racial enquanto pauta de discussão na política e exigiram a inclusão de ações e políticas de redução da desigualdade educacional visando a reparação aos afrodescendentes. (PASSOS, 2014a). Juntamente com a população indígena, as populações afrodescendentes foram impedidas de frequentar os bancos escolares com a criação da Lei nº 1, de 14 de janeiro de 1837 que proibia escravizados e libertos de frequentarem as esco

Contribuições de Maunsell à Catalogação por Marcelo Nair dos Santos

IV Seminário Internacional A ARTE DA BIBLIOGRAFIA 08 de dezembro de 2017 - Vitória (ES) RESUMO DAS PALESTRAS Contribuições de Andrew Maunsell à Catalogação Marcelo Nair dos Santos (UFES) As contribuições de Andrew Maunsell quanto ao assentamento das entradas no catálogo e como elas foram dispostas em regras catalográficas da vertente anglo-americana. O contexto histórico de Maunsell e como ele concebeu seu catálogo idealizando meios que foram apropriados posteriormente pela catalogação, os quais perduram ainda hoje nas regras que a regulam. Apontamentos conclusivos sobre o estado atual das contribuições de Maunsell na “Resource Description and Access” (RDA).

Bibliografia, uma ordem do discurso no Século XXI?... por Attilio Caproni

IV Seminário Internacional A ARTE DA BIBLIOGRAFIA 08 de dezembro de 2017 - Vitória (ES) RESUMO DAS PALESTRAS "Sapere aude" (dizia Kant): a Bibliografia, uma ordem do discurso no Século XXI? Attilio Mauro Caproni (Prof. Titular de Bibliografia / Universidade de Udine e Florença) A ciência bibliográfica ainda tem um papel no século XXI? A transformação do livro, de objeto tipográfico para documento digital (elétrico), propõe (e não somente na aparência) um entrelaçamento inusitado entre o texto, a leitura, os leitores na medida em que, uma relação dessa natureza, deve considerar bastante a expansão das redes informáticas (internet e mídia social, em particular) nos processos de disseminação

Epistemologia crítica: da tentativa de invenção a-social de uma Library and Information Science

As transformações no ensino da Biblioteconomia no Brasil ganharam uma influência cada vez mais intensiva do pensamento anglo-americano após os anos 1960. A partir dali, multiplica-se o afastamento de uma crítica social então crescente, via um liberalismo humanista, que possuía Jesse Shera (1977) e seu conceito de epistemologia social, estabelecido junto de Margaret Egan nos anos 1950, como uma das forças refratárias a um tecnicismo acrítico. As transformações do pensamento biblioteconômico nesse contexto, principalmente a partir do discurso estadunidense, são demarcadas por um foco mecanicista claro. Nesse cenário, não apenas Shera é “apagado” (pelo menos, o ponto de vista social de sua crít

O gesto bibliográfico na invenção da história da arte por Giulia Crippa

IV Seminário Internacional A ARTE DA BIBLIOGRAFIA 08 de dezembro de 2017 - Vitória (ES) RESUMO DAS PALESTRAS O gesto bibliográfico na invenção da história da arte (Século XVI) Giulia Crippa (USP) Propomos uma discussão sobre duas compilações bibliográficas do século XVI: o quarto capítulo da Idea del tempio della pittura de Giovan Paolo Lomazzo (1591), dedicado aos “antigos e modernos escritores de arte” (Lomazzo, 1971, p. 34) e o capítulo “Preceitos de pintura transmitidos pelos antigos e os modernos”, do Tractatio de Poesi et pintura ethnica, humana et fabulosa collata cum vera, honesta et sacra de Antonio Possevino (1595). Ambos os compiladores devem ser considerados, além do bem mais co

OFLClipping - Semanário Teleológico

Destaque da semana Fundador da Zahar ganha biografia nos 60 anos da editora Como bom editor, sua vida foi o seu catálogo. Mais especificamente, o catálogo da Zahar, antiga Zahar Editores e Jorge Zahar Editor, que somando suas três fases completou em julho 60 anos de existência — e cerca de três mil títulos publicados. Para celebrar o aniversário da editora que carrega seu nome, o homem que reinventou a publicação das ciências sociais no Brasil ganha uma biografia do jornalista, escritor e editor Paulo Roberto Pires. “A marca do Z — A vida e os tempos do editor Jorge Zahar”, que será lançado na próxima terça, reconstrói a trajetória da casa que trouxe ao país obras de autores como Freud, Hobs

Ebert vs Schrettinger: da lógica cultural (Bibliografia) à logica bibliotecária (Biblioteconomia)? p

IV Seminário Internacional A ARTE DA BIBLIOGRAFIA 08 de dezembro de 2017 - Vitória (ES) RESUMO DAS PALESTRAS Ebert vs Schrettinger: da lógica cultural (Bibliografia) à logica bibliotecária (Biblioteconomia)? Fiammetta Sabba (Universidade de Bolonha) Após a fundamental práxis bibliográfica de Gesner e após o fundamento cultural discutido por Naudé, que unificou exigências práticas e alicerces culturais, a evidências específica e o amadurecimento teórico das duas disciplinas, Bibliografia e Biblioteconomia, passam a se definidas e teorizadas, porém em uma perspectiva de contraposição e através de uma dialética científica apaixonada, por Friedrich Adolf Ebert e por Martin Wilibald Schrettinger

Capurrianas no ar! Liber Lexicon em órbita!

Se concordarmos com Emanuele Tesauro, sendo todas as imagens, metáforas, assim como sendo todas as metáforas, imagens, é sob uma teoria do signo que podemos desenvolver linguagens entre o verossímil e o (dito) verdadeiro. Em outros termos, todo princípio de explicação do mundo por uma teoria da organização do conhecimento pressupõe uma teoria da agudeza simbólica, onde imagem e verbo se sobrepõem no jogo interssemântico da linguagem ordinária. O grupo de pesquisa "Ecce Liber: filosofia, linguagem e organização dos saberes" lança agora, em novembro de 2017, o resultado de suas pesquisas no léxico filosófico-informacional, começando pelo projeto Capurrianas - tradução, organização e (re)interp

Crítica e inclusão na formação do bibliotecário... cenários históricos

A Biblioteca Nacional foi a primeira a articular a implementação de técnicas e práticas biblioteconômicas no Brasil. As experiências de instituições estrangeiras com prática biblioteconômica consolidada foram sendo conhecidas e transmitidas aos intelectuais brasileiros e isso trouxe uma mudança que os levou a pensar em uma nova forma de prática biblioteconômica no país (BOTTENTUIT; CASTRO, 2000). O ensino superior em Biblioteconomia teve a criação do seu primeiro curso no Brasil no ano de 1911 na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Este curso possuía influência francesa e orientação humanística, diferentemente do segundo curso de Biblioteconomia que foi criado em São Paulo no mesmo ano pe

Modelos Conceituais Ontológicos para a Representação Bibliográfica na Web por Rachel Guimarães e Dan

IV Seminário Internacional A ARTE DA BIBLIOGRAFIA 08 de dezembro de 2017 - Vitória (ES) RESUMO DAS PALESTRAS Modelos Conceituais Ontológicos para a Representação Bibliográfica de Recursos Multimídia na Web Rachel Cristina Mello Guimarães (UFES) e Daniela Lucas da Silva Lemos (UFES) Organização e representação da informação e do conhecimento. Modelos conceituais como possibilidades de abstração e compreensão do universo bibliográfico. Ontologias de fundamentação como base ao processo de análise semântica de conteúdo bibliográfico. Modelos de anotação para representação de documentos digitais. Representação de documentos multimídia: dos metadados às anotações semânticas. Uma proposta de mode

A teorização de uma bibliografia feminista

O trabalho, apresentado em uma conferência anual do ASECS [1], tem por objetivo realizar uma revisão da produção historiográfica em história do livro, à luz da discussão acerca do papel feminino na produção bibliográfica e na construção de narrativas neste campo de estudo. Uma das principais questões levantadas no alicerce da pesquisa foi o reconhecimento de uma importante problemática nos estudos em história do livro, quando observado pela ótica feminina: apesar da produção significante no campo, não há uma narrativa, um estudo que propriamente seja capaz de reunir e refletir a diversidade das pesquisas sobre os trabalhos elaborados por mulheres. Em sua análise, a autora enfatiza que a fras

ÓrbitaLIS n.27: Biblioteconomia e sustentabilidade

Agora deixa o livro volta os olhos para a janela a cidade a rua o chão o corpo mais próximo tuas próprias mãos: aí também se lê — "Último poema", por Ana Martins Marques (2015, p. 29). Resolution on the Importance of Sustainable Libraries A primeira resolução da ALA a ser apresentada numa reunião virtual defende a importância das bibliotecas na informação sobre resiliência, aquecimento global e um futuro sustentável. Fonte: American Library Association (28.06.15) "Sustainability in Libraries" Uma série de sete artigos sobre relações possíveis entre bibliotecas e sustentabilidade. Fonte: American Libraries Magazine (abr.– set. 2017) Sustainability Round Table of the ALA Como um ambiente para

Chamada de artigos Liinc em Revista - Dossiê Organização do Conhecimento: agendas sociopolíticas e s

Chamada de artigos Liinc em Revista Dossiê “Organização do Conhecimento: agendas sociopolíticas e seus conflitos históricos” Submissão de artigos: de 1 de fevereiro de 2018 a 9 de julho de 2018 em http://www.ibict.br/liinc A Liinc em Revista encontra-se aberta à submissão de artigos para avaliação entre pares, para publicação no número 2, volume 14, no mês de novembro de 2018. Aceitam-se artigos originais em português, espanhol e inglês. Esse número contará com um dossier sobre “Organização do Conhecimento: agendas sociopolíticas e seus conflitos históricos”,organizado pelos profs. Gustavo Saldanha (Ibict), Rosali Fernandez de Souza (Ibict) e Luana Sales (CNEN), conforme a descrição a segui

Contra-hegemonia na Ciência da Informação: na direção das temáticas africana e afrobrasileira

Dado o contexto de constituição hegemônica do discurso informacional anglo-americano como marca de (re)institucionalizações, a partir dos anos 1960, do que passou a se chamar, nos Estados Unidos, de Library and Information Science, a crítica epistemológica de fundo sócio-histórico se estabeleceu nas últimas décadas como fonte para o olhar que permitisse uma reorientação das interpretações sobre o processo de construção do campo. Não se trata apenas de “novas propostas críticas”, mas também de uma crítica (meta)histórica, interessada em rever os mitos de origem e de (re)invenção, bem como os métodos socioepistêmicos de constituição de tais abordagens (ou seja, o “como” é feita a nossa históri

O espaço-tempo da Bibliografia e do documento por Maira Grigoleto

IV Seminário Internacional A ARTE DA BIBLIOGRAFIA 08 de dezembro de 2017 - Vitória (ES) RESUMO DAS PALESTRAS O espaço-tempo da Bibliografia e do documento: reflexões sobre epistemes e mediações Maira Grigoleto (UFES) Trata o espaço-tempo da Bibliografia e do documento, pontuando a questão da materialidade e da estabilidade. Conduz reflexões sobre as epistemes histórica e científica no percurso constitutivo de saberes e práticas. Aborda a racionalidade e a regularidade nos processos de institucionalização. Entende a Bibliografia e o documento como dispositivos de saber/poder/fazer (dispositivos de mediação) ao observar as características materiais e relacionais (produtos e processos). Direci

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