A bibliografia nas figurações disciplinares de fim de século... por Cristina Dotta Ortega e Maria da

A Bibliografia, conceito, discurso, concretude institucional, circulou por diferentes contexto e foi reconfigurada ao longo das mutações disciplinares do fim do século no mundo, com repercussões no Brasil. É o exemplo das transformações ocorridas então Escola de Biblioteconomia, hoje Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais. "O Curso, iniciado em 1950, tinha duração de um ano e era composto por cinco disciplinas: Bibliografia e Referência, Catalogação, Classificação, História da Literatura, História do Livro e das Bibliotecas. Em 1953, o curso passou a ter duração de dois anos, em 1957 passou para três anos, até que, em 1985, o período de duração do curso foi o

'Foundations of a theory of bibliography': desinventando a Ciência da Informação

O exercício de retorno ao conceito de bibliografia não é e não pode ser a mera visita ao marco sócio histórico de aparecimento do termo e de sua manipulação teórica local e contextual. Uma epistemologia histórica há que demonstrar, com os riscos da atemporalidade filosófica, que tal conceito está carregado de uma potência e de uma atualidade que devem permanentemente ser lembradas e, fundamentalmente, discutidas. Retirar, em regime temporário, o caráter social do conceito, é simplesmente devolvê-lo ao socializante: a bibliografia se estabelece como uma ciência desde o século XVIII, como aponta Peter Burke (2003), e sua pele em caracteres e silêncios brancos, ou seja, seu significante, é, a p

Qual o quê dos clubes de leitura na Espanha hoje? Tertúlias e outros prazeres crítico-coletivos

Como leem aqueles que coletivamente leem? Por que ler a partir de experiências conjuntas, e não na solidão das páginas e dos olhos? Em que medida podemos falar de uma prática de leitura dialógica na atualidade? Esses cenários não colocam em discussão a própria noção de leitura como pretensa positividade cognitiva, de captação e de decodificação de signos? Pierre Bayard e suas não-leituras não podem identificar aqui um universo de pretensões de desconstrução de uma teoria positivista do ato de ler? Eis um viés do itinerário de Carmen! A partir de uma pesquisa que inclui a observação participante, entrevistas em profundidade e questionário aberto, com foco na compreensão da vivência dos clubes

Liber Agenda 2017!!! Setembro no ar...

Eventos & Cursos em Biblioteconomia & Ciência da Informação !!! CONGRESSOS II Fórum sobre Competência em Informação Sobre: O III Fórum sobre Competência em Informação: pesquisas e práticas no Rio de Janeiro foi organizado pelo Curso de Biblioteconomia e Gestão de Unidades de Informação (CBG), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), evento que em sua primeira edição contou com a participação efetiva da Escola de Biblioteconomia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Quando: 06 de outubro de 2017, 9-17h Onde: Instituto Nacional de Tecnologia, Avenida Venezuela, 82, Centro (Praça Mauá), Rio de Janeiro Inscrições: AQUI. (As inscrições são gratuitas e serão aceita

A bibliografia e a Escola de Ciência da Informação na UFMG... por Cristina Dotta Ortega & Maria

A Bibliografia é um conceito. Como todo produto da linguagem, sua concretude não está encerrada na morada da palavra. A linguagem transfigura o real sob as mais diferentes forças de transformação. No plano institucional, a bibliografia demonstra essa potência e suas atualizações. É o caso da relação entre sua elaboração conceitual e a historicidade por trás da Escola de Ciência da Informação. "A Bibliografia relacionava-se ao conjunto das técnicas de produção de bibliografias independente do acervo de uma dada biblioteca, como as bibliografias nacionais, as temáticas e as de autor, e o estudo de bibliografias existentes para que fossem oferecidas aos usuários de bibliotecas. Já a Documentaçã

Etnobibliografia: a vida íntima dos livros

A cadeia de acontecimentos contemporâneos nas tecnologias da linguagem listadas por Melot (2012, p. 24) sugere um conjunto etnopercursos para um decurso cultural-historiográfico: “Em 1945, o primeiro computador foi posto em funcionamento e pesava cinco toneladas; em 1961, começaram a ser utilizados os circuitos integrados; em 1963, o mouse foi inventado e, em 1976, o computador pessoal (PC)”. Este desdobramento, indica Melot (2012), fez nascer um vasto interesse sobre a forma do livro na contemporaneidade – em outros termos, a concorrência da tela e de outros dispositivos de fixação e de apresentação da matéria verbal e a-verbal trouxe um “desejo” ainda maior pelo “livro”, seja como conceito

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Destaque da semana Enciclopédia mapeia pessoas, lugares e conceitos na obra de Jorge Luis Borges As obras de Jorge Luis Borges são abrangentes, universais. E, em muitas vezes, difíceis de entender. É por esse motivo, para ajudar os desbravadores a adentrar mais profundamente na mente do argentino, que surge “Borges babilônico”, uma enciclopédia que se propõe a mapear as pessoas, os lugares e conceitos tão caros como referências ao autor. O projeto reúne mais de mil verbetes sobre a produção literária de Borges. Feito por especialistas, com profundidade e bibliografia extensa sobre estudos do autor, “Borges babilônico” conta com verbetes próximos a ensaios, que dão uma visão aprofundada de te

Raízes libertinas dos regimes de informação... a bibliographia política de Naudé... por Giulia Cripp

As preocupações do campo biblioteconômico-informacional com a política são antigas... E a Bibliografia se apresenta como uma pioneira na discussão sobre como os modos de nascimento da reflexão metapolítica, ou seja, uma epistemologia dos modos de governar... A obra e a vida de Gabriel Naudé são fundamentais para (re)conhecer as raízes dessas relações... "Bibliographi Politique naudeana é um texto publicado pelo autor em 1633 para o amigo e erudito Jacques Gaffarel, envolvido em compromissos oficiais de caráter político e interessado em ter à disposição um breve volume rico em informações sobre a literatura política. Uma obra, portanto, pensada à luz de uma exigência dúplice: histórico-crític

A ontologia, a roda e o sujeito: informação como exclusão epistêmica...

O bibliotecário Wilf (Lancaster) esteve no Brasil e colaborou objetivamente para a construção da pós-graduação no país a partir daquele que era seu domínio mais profundo de estudo, resultante da longa e consagrada atuação, a Biblioteconomia e os processos de recuperação da informação (ou seja, agora, a information science), ou, ainda (apenas), a classificação... A mesma classificação que, para seu desalento, passara a ser chamada, nas suas palavras, de "ontologia", a partir das primícias dos anos 1990. Em sua trajetória, acumulou ainda em vida as posições de poder político na gestão do capital universitário e as posições simbólicas resultantes de seu “trabalho pessoal”, como classifica Bourd

O bibliotecário e a ética profissional: o trabalho em sua dinâmica moral

O significado da ética está associado a valores, reflexão, estudo, autoconhecimento e bem-estar. É comum a aproximação dos sentidos da ética e da moral. A última representa, em conceituações distintas de determinados filósofos, o conjunto de costumes/comportamentos de uma cultura ou grupo social. Um comportamento pode ser aceitável em um lugar e em outros a mesma atitude pode ser considerada abominável. Normalmente, os conflitos morais se “resolvem” por meio dos valores éticos (ainda que essa distinção filosófica, no plano político, possa trazer inúmeras complicações em sua aplicação). Embora a Ética, em “e” maiúsculo, sob o ponto de vista filosófico, seja uma “atividade epistêmica”, não sig

Aggiornamento informacional: como a "ciência da informação" foi inventada

O que viria a ser a expressão “ciência da informação”...?; Como podemos responder tal questão sem partir de uma “epistemologia casta”...?; Como poderíamos trazer contribuições à indagação a partir de uma sócio-epistemologia para os estudos informacionais brasileiros e seus dilemas...? Partindo do método bourdieusiano, é necessário inserir o seguinte quadro analítico e suas variáveis para a análise dos estudos informacionais brasileiros: gênero; raça; renda; formação; temáticas de estudo e outras categorias que permitem o mergulho naquilo para o qual Bourdieu (2013, p. 140) chama a atenção, ou seja, “a análise detalhada de biografias e bibliografias”. Em nosso caso, um pequeno mergulho na vid

Naudé: um bibliotecário e erudito libertino na França do século XVII... por Giulia Crippa

Confiram no Dossiê Internacional A ARTE DA BIBLIOGRAFIA... "Nesse artigo propomos uma discussão sobre Gabriel Naudé e sua obra como bibliotecário e erudito libertino na França do século XVII, com particular atenção para uma ampliação no âmbito dos estudos históricos sobre bibliotecas a partir da atuação dele. O interesse que os estudos biblioteconômicos reservam a Naudé, porém, é frequentemente restrito ao Advis pour dresser une bibliothèque (NAUDÉ, 1994), pequeno livro que ele dedicou, em 1627, ao presidente do parlamente francês, Henri II de Mesme, para quem Naudé trabalhara em 1625..." Por Giulia Crippa Leiam o artigo completo AQUI.

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Destaque da semana UPLA recupera libros y documentos perdidos durante el golpe militar de 1973 Recuperar documentos para gerar conhecimento sobre as práticas de eliminação e destruição de livros considerados "perigosos" na região de Valparaiso, no Chile, durante a ditadura militar, em 1973, é o principal objetivo do projeto "Biblioteca Recuperada en Valparaíso", uma parceria entre o curso de Biblioteconomia da Universidad de Playa Ancha, o Colegio de Bibliotecarios de Chile e da Unique e da Universidad Diego Portales. A iniciativa irá resultar em uma exposição a ser apresentada na Biblioteca Central da Universidade de Playa Ancha, entre os dias 19 e 20 de outubro desse ano. "O interessante n

Biblioteconomia e Ciência da Informação no Brasil e na Espanha: percepções possíveis através dos est

Uma das premissas da atuação bibliotecária, reconhecidamente, é a aquisição constante de novos conhecimentos a partir da manutenção de hábitos de aprendizado contínuo. Esse aprendizado deve envolver não apenas conhecimentos gerais, mas também uma busca pelo aperfeiçoamento profissional e pela compreensão do próprio campo biblioteconômico. E uma das formas de ampliar essa compreensão é observar a prática biblioteconômica no bojo de outras realidades socioculturais. Neste sentido, estudos que propõem uma observação de aspectos da Biblioteconomia e da Ciência da informação em diferentes locais e sociedades, paralelamente, são muito úteis para ampliar as perspectivas do profissional da informaçã

Dos falsos antagonismos informacionais (4): paradoxos do objeto e do contextualismo

Quem disse "o objeto da Ciência da Informação é a informação" fez uso de um neopositivismo extremo: o mecanicismo da linguagem em sua mais exacerbada face. Porém, é com o falso contextualismo que a afirmação explode o espaço-tempo. Eis os dois paradoxos... a) O “objeto” da Ciência da Informação é (o fenômeno da) a informação: o paradoxo aqui se dá por diferentes vias, que vão da racionalidade histórica à pura racionalidade epistêmica. Em linhas gerais, a confusão está em: a) este objeto já era estudado sob vários aspectos, com ou sem o significante informação, desde o século XIX, nas próprias instituições estadunidenses dedicadas à organização do conhecimento; b) este objeto já era abordado

ÓrbitaLIS n.23: Transparência e Pós-verdade

Estamos agora muito preocupados com o que chamamos de 'pós-verdade' e tendemos a pensar que o desprezo pelos fatos cotidianos e a construção de realidades alternativas sejam algo novo ou pós-moderno. Contudo, há pouca coisa aqui que George Orwell não tenha captado há sete décadas com sua ideia de 'duplipensar'. Dentro dessa filosofia, a pós verdade restaura precisamente a postura fascista em relação à verdade — e é por isso que nada deste mundo espantava [Victor] Klemperer ou [Eugène] Ionesco. Os fascistas desprezavam as pequenas verdades da experiência cotidiana, amavam palavras de ordem que ressoavam como uma nova religião e preferiam mitos de criação à história ou ao jornalismo. Usavam os

Liber Agenda 2017!!! Agosto no ar...

Eventos & Cursos em Biblioteconomia & Ciência da Informação !!! Congressos Aula magna do PPGB UNIRIO com pesquisador cubano Radamés Linares Columbié Sobre: conferência com o Professor Radamés Linares Columbié, da Universidad de La Habana, Cuba, ministrará Aula Magnadeste período do PPGB e do PPGARQ. Tem formação em História, é doutor em Ciências da Informação, é professor do departamento de Bibliotecología y Ciencias de la Información da Universidad de La Habana. Importante pesquisador e pensador da informação na América Latina, tem se dedicado aos estudos epistemológicos do campo. Quando: dia 21 de agosto, às 19h. Onde: Auditório Paulo Freire, prédio do CCH - Unirio - Botafogo, Rio de Jane

Dos falsos antagonismos informacionais (3): interdisciplinarismo e barbárie profissional

Como dizer... eis uma episteme para o estudo informacional? Duas armas sociodistintivas foram discursivamente fulcrais para a assertiva... de um lado, a interdisciplinaridade como lema social democrata... de outro, a falsa abertura ao mercado na crise da ideia de trabalho... a) O bem na interdisciplinaridade sob a amarra dos fundamentalismos disciplinares: “distinção socioepistêmica” estabelecida a partir da construção da inferioridade da disciplinaridade diante da interdisiciplinaridade, a) como se a CI, não sendo um novo nome, a princípio, para velhas práticas, respondesse por um campo interdisciplinar naturalmente (quando sua história sessentista de fundo positivista prova o contrário, ou

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Destaque da semana Operários visitam a Biblioteca Nacional e conhecem obras das grandes ideias Convidados a participar de visitas guiadas ao prédio, os cem operários que trabalham na restauração da fachada da Biblioteca Nacional, no Centro, percorreram salas de leitura, corredores e puderam conferir a beleza da arquitetura do espaço. E mais: ouviram histórias sobre a riqueza do acervo e sobre curiosidades da construção, inaugurada em 1910. Para alguns, pode ter sido como virar uma página. Sempre em grupos de dez, as visitas seguem o modelo do passeio oferecido ao público em geral. Para personalizar o roteiro, foram incluídas informações sobre o processo de construção do prédio. A ideia de tr

"Véritable mise en abyme": a arte da bibliografia como enigma...

[Publicado originalmente como "O enigma do abismo bibliográfico: um convite" na Revista Perspectivas em Ciência da Informação] Para Andre Araújo, Cristina Ortega, Dina Araújo e Giulia Crippa O que tratamos por “arte da bibliografia” representa a história de um diálogo, um programa de reflexões compartilhadas entre distintos saberes, uma vivência teórica do Brasil para o mundo, do mundo para o Brasil. Iniciada em 2014, no Rio de Janeiro, com o 1º Seminário Internacional A ARTE DA BIBLIOGRAFIA, trata-se, antes, de uma procura epistemológica à beira de um certo abismo: afinal, o que é a Bibliografia? Presente como conceito em distintas tradições de pensamento e de formação, personagem relevante

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