Um convite à socioepistemologia: desnaturalizando a Ciência da Informação

A obra crítico-epistêmica de Pierre Bourdieu é um convite à compreensão da elaboração social da “naturalização epistemológica” a partir da observação... a) dos posicionamentos acadêmicos de corpos e edificações, b) de suas rupturas sócio-epistemológicas e, por fim, c) das legitimações das teorias e dos conceitos científicos dados na vivência dos corpos dentro de edificações a partir de forças simbólicas. Trata-se de uma crítica aos mecanismos implícitos e explícitos de “purificação” da vida do cientista, suas instituições e seus construtos. A delimitação resulta na compreensão da invenção sócio-epistêmica de uma “ciência para a informação” em solo estadunidense a partir de “distinções natura

BIBLIOTECAS VERDES: um olhar sobre a Biblioteca da cidade de Helsinki, Finlândia

Refletindo sobre o papel ambiental das bibliotecas, não é difícil perceber que estas, com base em suas premissas, configuram-se como instituições sociais essencialmente “verdes”. É o que demonstra Harri Sahavirta (2012) em seu artigo Showing the green way: advocating green values and image in a Finnish public library. Conforme aponta o autor, as atividades básicas típicas das bibliotecas, como a recuperação da informação e a disponibilização de acervo para circulação, por proporcionarem o compartilhamento e reaproveitamento de recursos, permitem compreender que bibliotecas são instituições inclinadas à sustentabilidade. A Vallila Library, uma seccional - ou branch - da Biblioteca da cidade d

O caminho do esquema nos estudos informacionais

No que diz respeito estritamente ao esquema no plano do estudos informacionais, falta-nos ainda um conjunto de diálogos teóricos e de aprofundamentos ao conceito em questão (bem como em suas dimensões distintas de apropriação e repercussão, como o caso de sua manifestação em tesauros, esquemas classificatórios em geral, etc). O diálogo com nomes oriundos da Antropologia e aqueles que, em certa medida, fundamentam o pensamento esquemático dos bibliólogos da geração de 1968, como Jung e Piaget, tendem a ampliar quanti e qualitativamente o discurso “arqueológico” sobre o conceito e seus fragmentos dentro da epistemologia da Ciência da Informação. Precisamente na questão conceitual, faz-se neces

O ESQUEMA BIBLIOLÓGICO E AS FORMAS SIMBÓLICAS

Estivals (2000, p. 68) afirma que o termo synoptique responde diretamente por um adjetivo que acompanha o tableau ao longo da produção nocional nos estudos bibliológicos. Duas ideias estão reunidas nesta relação: o conceito de síntese e o conceito de visibilidade. O primeiro resulta de uma atividade intelectual, o outro de um processo da linguagem. Este último resulta nos conceitos gerais, palavras, planos ou categorias de esquemas linguísticos, ou apenas esquemas metatextuais. O tableau é abordado por Estivals (2000, p. 70) como sinônimo de matriz (matrice) e indica-constitui uma representação ao mesmo tempo gráfica e simbólica de variações reconhecidas de uma ou mais categorias de fenômeno

MARCAS TIPOGRÁFICAS DE EDITORAS CIENTÍFICAS DO SÉCULO XX

Uma das características do século XX foi a chamada explosão informacional, em que houve uma massiva produção e distribuição do impresso. Nesse processo, o aumento da produtividade científica causada por fênomenos como a especialização das ciências, a melhoria dos sistemas educacionais e o consequente aumento de cientistas fez com que as editoras comerciais enxergassem uma oportunidade para expandir seu corpo de publicações na forma de livros e periódicos científicos. As “marcas comerciais” de impressão acompanham o surgimento da própria imprensa, já que seu uso pode ser visto para designar os trabalhos de impressão de Fust e Schoeffer, responsáveis por dar continuidade à iniciativa de Gutenb

Tableau: o esquema em Gabriel Peignot

O conceito de “esquema” não aparece no pensamento de Gabriel Peignot objetivamente. A ausência de explicitação do termo não necessariamente nos leva à negação ou à identificação de negligência conceitual. A noção tableau sustenta a argumentação peignotiana naquilo que, futuramente, no século seguinte, Paul Otlet e Robert Estivals considerará como “esquema”. Por tableau, quadro ou descrição, compreendemos genericamente suporte (de escrita, como um quadro-negro, ou de qualquer objeto). O termo responde também por uma possível “tabela” (como tabela de avisos), obra pictórica, aquilo que está disponível para visualização. Outras acepções expandem o caráter genérico do tableau respondem pela idei

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Destaque da Semana Call it a comeback: typewriters attracting new generation of fans Na era dos smartphones e dos meios de comunicação social, as máquinas de escrever vintage que uma vez reuniam poeira em sótãos e porões atraem uma nova geração de fãs nos Estados Unidos. De pessoas em bares a poetas de rua vendendo poemas personalizados e datilografados, as máquinas de escrever ressurgem como itens populares entre os norte-americanos, levando-os a busca-las em brechós, sites de leilões online e loja de antiguidades. O interesse nas máquinas de escrever ressurgiram há cerca de dez anos atrás, quando entusiastas se reuniram online. Desde então, o número de fãs aumentou e vários eventos vêm sen

A ENCADERNAÇÃO PARA VALORIZAÇÃO DO LIVRO ANTIGO COMO BEM PATRIMONIAL NO MÉXICO

Considerado um elemento de inquestionável eficácia para a construção da memória humana, o livro antigo carrega em suas características individuais um quadro resultante do contexto em que foi produzido, como os aspectos sociais, econômicos, políticos e culturais de seu período. A encadernação, em sua função de conservar e proteger o conteúdo textual, pode ser analisada em sua multiplicidade, nas versões mais simples às verdadeiras obras de arte, que variam de acordo com o contexto de produção e de posse dessas obras ao longo do tempo. É essa materialidade, externa de qualquer análise do livro visto sob a perspectiva de seu texto, que é capaz de oferecer uma outra fonte informacional – uma his

ÓrbitaLIS n.17: Crianças no Ciberespaço

Kuwait Conference adresses the challenges for an ethical and safe cyberspace for youth A conferência que aconteceu entre 21 e 23 de março teve como objetivo examinar caminhos e medidas inovadores para a proteção dos jovens dos perigos e desafios das mídias sociais nos aspectos ético, legal, social e educacional. Fonte: UNESCO (29.03.17) Children and young people’s rights in the digital age: An emerging agenda O artigo examina as tensões existentes nos direitos das crianças e dos adolescentes no ambiente digital, como, por exemplo, a garantia de sua proteção online e, ao mesmo tempo, a promoção de oportunidades para a sua participação cidadã na rede. A questão dos direitos específicos das cri

Schéma: notas sobre o esquematismo no pensamento de Paul Otlet

O “esquema” no pensamento de Paul Otlet (1934) aparece sob diferentes configurações. Em um primeiro momento, trata-se de um “elemento do livro”, entendido como sinônimo de diagrama e conceituado como “reprodução abstrata” (p. 46). Em segundo lugar, o “esquema” é tomado como um elemento gráfico e, mais especificamente, como um “signo”. Tomando o livro como expressão do pensamento através dos signos, o “esquema” trata-se de uma espécie de signo, assim como notações alfabéticas, signos convencionais, ideogramas. (p. 56). Otlet aproxima aqui o “signo esquema” do “tableau synoptique” e das “notações modernas da Química”. Outra visão otletiana está em relacionar o “esquema” no contexto da procura

O ESQUEMA NO PENSAMENTO BIBLIOLÓGICO: “escavações” de raízes filosófico-empíricas

L'art de 1'ecriture et celui du dessin ont des rapports étroits. Par example: la miniature et l'ornementation médiévale. (OTLET, 1934, p. 58) O conceito de esquema ocupa lugar “hipocêntrico”, e se lança em “epicentros” em diferentes contextos dentro do campo informacional. Paul Otlet já alertava, em seu Traité (1934, p. 79), que existe a necessidade de constituição de uma linguagem esquemática comum, que consistiria na construção de uma expressão diagramática para exposição de toda e qualquer ideia ou consenso – o “esquema”, ainda, como possibilidade de descoberta de algo novo dentro de um processo construtivo, seja como adição ou mesmo como modificação. A “esquemática” deveria, deste modo,

ÉTICA DA INFORMAÇÃO NA ÁFRICA: 10 anos de discussão

Em fevereiro de 2017, o African Centre of Excellence for Information Ethics (ACEIE) organizou um simpósio para a comemoração dos 10 anos de trabalho em Ética da Informação no continente. O ACEIE, vinculado ao Departamento de Ciência da Informação da Universidade de Pretória, na África do Sul, contou ainda com o suporte da Telecommunications & Postal Services da República da África do Sul, bem como do Information for All Programme (IAP), da UNESCO. A partir das World Café Sessions realizadas na ocasião, a ANIE, African Network on Information Ethics, gerou um relatório sobre o debate desenvolvido nos encontros promovidos. Para este evento, realizado em formato proposto por Rafael Capurro e Tob

ÓrbitaLIS n.16: Vigilância, Direitos e Tecnologias

The datafied child: the dataveillance of children and implications for their rights O artigo discorre sobre a tensão existente entre o agrupamento de dados vigiados e os direitos de proteção dos dados das crianças, e critica as várias formas de monitoramento e vigilância dos seus dados, que começam mesmo antes do seu nascimento, e atravessam os anos escolares. A questão da privacidade das crianças é preocupante, segundo os autores, uma vez que elas são participantes cada vez mais cedo do ambiente online, onde seus dados digitais são incessantemente gerados e vulneráveis. Fonte: Sage Journals (23.01.17) Parceria da International School of Law and Technology com a Université de Montréal leva c

Do esquema e das formas simbólicas: a caminho do pensamento bibliológico

O esquema pode ser tomado como um dos elementos abissais do pensamento informacional. Está presente como processo cognitivo e manifestação sociocultural nas práticas de classificação e em sua apresentação – os esquemas de classificação propriamente ditos. Em Paul Otlet (1934, p. 222), a procura pela “linguagem esquemática” aponta para uma direção final de todo o projeto bibliológico: “L'art d'etablir des schemes (la schematique) doit devenir une branche de la bibliologie: elle est, en tant que celle-ci la theorie de l'enregistrement et de l'exposé methodique des connaissances scientinque”. Tal procura integra diretamente o desenvolvimento de uma epistemologia da “Ciência da Informação": a re

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Destaque da semana Historic Irish library could make more than £1,8m at auction Uma das coleções mais importantes de livros históricos, incluindo vários folios de Shakespeare, uma primeira edição de Gulliver's Travels, cópias assinadas de poemas de Wordsworth e manuscritos medievais serão leiloados na próxima semana. Os livros encontram-se há mais de 100 anos em uma biblioteca histórica da Irlanda e sua venda poderia exceder £ 1,8 milhões quando leiloada pela Sotheby's em 7 de junho. O bibliófilo William O'Brien acumulou os livros nos anos 1880 e 1890. Desde então, a biblioteca dificilmente foi tocada ou catalogada, uma vez que foi deixada aos cuidados da faculdade da comunidade jesuíta em M

"Geoconceitualidade": um método metalinguístico para os estudos informacionais?

Como investigar um domínio da linguagem, como os estudos informacionais, na e para a linguagem? Diferentes métodos, como a bibliometria e a bibliografia textual, lançaram questões sobre o olhar das práticas com registros documentais e suas inúmeras configurações metalinguísticas abertas. Pensamos em duas direções complementares dos projetos correntes: a) uma abordagem da-para linguagem como pressuposto para a reflexão filosófica dos estudos informacionais; b) uma espécie daquilo que estamos tratando por “geografia conceitual”, ou seja, estudo das relações entre os intersujeitos e a fisicalidade de continentes e conteúdos documentais, bem como a dinâmica interna-externa de formações e movimen

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