CATÁLOGOS DE MANUSCRITOS HEBRAICOS NAS BIBLIOTECAS DO VATICANO E DE PARMA

Quando se trata de Organização do Conhecimento, um grande exemplo de instrumento capaz de manifestar uma historicidade da aquisição documental é o catálogo. Em seu ensaio, o pesquisador Daniel Lasker (2011) aponta que um bom catálogo de biblioteca pode não apenas apresentar um registro de obras, como também uma própria história dentro de sua constituição. Para exemplificar, são apresentados dois exemplos de catálogos que descrevem coleções de manuscritos hebraicos, localizados em duas bibliotecas italianas: um pertencente à Biblioteca Palatina, na cidade de Parma (elaborado em 1803), e o outro à Biblioteca do Vaticano, em Roma (publicado pela primeira vez em 1756). Ambos os catálogos são dot

ÓrbitaLIS n.15: Virtualidades

Pierre Lévy: O que é o virtual? "[...] a significação existe sempre na nossa mente. É como se você quisesse dizer que a mente só existe depois dos computadores. É loucura." Fonte: Fronteiras do Pensamento (28.05.13) Proyecto BNElab Em torno de quatro princípios – reutilização, inspiração, participação e enriquecimento – a Biblioteca Nacional da Espanha disponibiliza um novo espaço virtual com maneiras outras de experienciar seu patrimônio cultural. Arte, jogos, interatividade. O acesso à informação readapta-se entre novas estratégias e imagens do digital. Veja a notícia original. Fonte: Biblioteca Nacional de España (23.05.17) La bibliothèque, la nuit: bibliothèques mythiques en réalité virt

Bibliologia, Documento e a nova técnica cultural da documentação em Briet

O desenvolvimento teórico da noção de documento na Bibliologia nos permite um método para conhecer o mundo: só existe a terceira margem do antílope na tradição da organização dos saberes, ou seja, não temos o seu interior ou sua forma. O que temos é a viscosa camada discursiva que cobre a noção de antílope, camada esta desdobrada no doble documental dos “espíritos” que é desenvolvido pelas práticas de organização dos saberes. Briet (1951) não deixa de considerar o “antílope” ainda em seu habitat como um documento: ele é, sim, o documento inicial. Mas o é no seu processo de transferência. Não pode sê-lo, na visão brietiana, antes. A “nova técnica cultural da documentação” cria, segundo Briet

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Destaque da semana Rebel girls: meet the authors who’ve redefined fairytales in the gender debate Elena Favilli and Francesca Cavallo, criadoras do vídeo viral “Cinderfella” e do livro “Goodnight stories for rebel girls”, falam sobre a necessidade de reescreverem os contos de fada sob perspectivas de gênero imparciais e livres de preconceitos. Para as autoras, a proposta de trocar os papéis de gênero nos contos de fada, realizados sem nenhum tipo de julgamento, contribui para transmitir a mensagem de que não existem funções “masculinas” e “femininas”. Hindustan Times – 22.05.2017 Ásia Erotic is not porn. Here’s everything you need to know about the much-misunderstood genre A escritora e crít

Briet e o antílope, o fabuloso neodocumento

Na etimologia, antílope responde pelo grego anthólops, que significa um animal fabuloso, das margens do Eufrates, muito selvagem, difícil de apanhar, com chifres capazes de cortar árvores. Anthos quer dizer em grego “flor” e ops quer dizer “olhos”. Percebamos: a etimologia, domínio estritamente lingüístico, participa ativamente da construção de uma “cientificidade” bibliológica no século XIX. Poderíamos tratar aqui de uma “primeira indexicalidade (impura)”. A etimologia não nos conta a verdade – a essência, a quidade – de um ente, mas as possibilidades de apropriação dele, pela linguagem, ao longo do tempo. Chegaremos à seguinte construção: para o caso analisado, dois “antílopes” se destacam

O DESAFIO DE DESENVOLVER BIBLIOTECAS NO LESOTO

Pequeno país da África Austral e enclave rodeado pela África do Sul, o Lesoto enfrenta diversos desafios, entre eles o do desenvolvimento de bibliotecas e o do letramento informacional de seus cidadãos. Segundo artigo publicado por Lehnhard no periódico da IFLA em 2012, nos lares do Lesoto raramente se encontra livros e se fala a lingua inglesa, apesar deste ser o idioma hoje oficial no país, exigido nas instituições de ensino superior do Lesoto e em empregos do setor governamental e empresarial (LEHNHARD, 2012, p. 243). Segundo os resultados preliminares da pesquisa apresentada por Lehnhard (2012), há evidências de que um projeto de desenvolvimento de bibliotecas em pequenas escolas e comun

ÓrbitaLIS n.14: Aprendizado e Humanidades

XV Congresso Internacional de Novos Direcionamentos em Humanidades, Imperial College London, Londres, Reino Unido, 5-7 de julho de 2017 Iniciado em 2003, o “Congresso Internacional de Novos Direcionamentos em Humanidades” se sustenta em quatro pilares: Internacionalismo, Interdisciplinaridade, Inclusão e Interação. Além dos cinco temas comuns do congresso (Estudos Culturais Críticos; Estudos Linguísticos e Comunicativos; Humanidades Literárias; Estudos Cívicos, Políticos e Comunitários; e Educação em Humanidades) e seus subtemas particulares, a edição de 2017 se constrói em torno do tema especial: Novas Direções das Humanidades em uma Sociedade do Conhecimento. Envio de propostas até 24 de j

Briet, aquela que nunca viu um antílope: ainda sobre as movimentações neodocumentais

O imaginário simbólico, um composto de linguagens sobrepostas que vão de construções mentais (lembremos outra vez Wittgenstein (1992): podemos pensar em um animal fabuloso, mas com partes de animais já dados em nossa vivência discursiva; exemplo: o centauro – é meio homem, meio cavalo) regidas pela intersubjetividade até tentativas de determinações de identidade, recria o documento. O “antílope” do zoológico deixa, no ato de entrada no zoológico, de ser “antílope”: é agora um outro discurso. Mas este outro antílope é derivado de outro antílope: outras “indexações” fizeram com que palavra, significado e coisa já fossem tratadas como passíveis de serem documentadas. Perguntemo-nos: como uma mu

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Destaque da semana Library brings drag queens, kids together for story hour É preciso ter certas características para ser um bom contador de histórias, tais como: entusiasmo, timing e um talento para o dramático. Artistas, na hora da contação de histórias para crianças, na New York City Library, têm tudo isso e muito mais: são drag queens. Cerca de uma vez por mês, desde o último outono, a Brooklyn Public Library tem apresentado o “Drag Queen Story Hour”, no qual artistas divertem e incentivam os hábitos de leitura para uma audiência composta por jovens e seus pais. The New York Times – 16.05.2017 Ásia Book fair opens in Turkey’s Kocaeli A 9ª Feira do Livro de Kocaeli fora inaugurada no dia

A linguagem como terceira margem: documento, neodocumentação e vivência

Para Lund (2009), a teoria brietiana do documento tem uma relação direta com a semiótica de Charles S. Peirce (1839-1914), principalmente, com relação aos seus três tipos de signos: ícone, índice e símbolo. Os ícones são tratados como semelhanças; os índices, como indícios que mostram algo sobre as coisas; por fim, encontramos os símbolos ou sinais gerais, que se associam aos significados pelo uso – estariam aqui a maioria das palavras, frases, discursos, livros, bibliotecas. Retomemos o pensamento foucaultiano. Como aponta Foucault (2002, p. 48), no contexto do século XVI, linguagem e natureza são noções que se entrecruzam e não podem ser desligadas uma da outra. Em outras palavras, linguag

INFORMAÇÃO EM SAÚDE: perspectivas australianas

Baseada na abordagem da aprendizagem de Bruce (GASQUE, 2010), uma pesquisa realizada na Austrália (YATES et al., 2012) com pessoas idosas traz uma perspectiva diferenciada para a compreensão do letramento informacional em saúde. O trabalho de Yates e demais autores (2012) busca captar a experiência de índividuos da terceira idade com a informação em saúde na vida cotidiana. O método fenomenográfico utilizado no trabalho, de reconhecida utilidade tanto para o campo da saúde (FERNANDES, 2005) como para os estudos de information literacy (YATES et al., 2012), permite o registro de diferentes formas de vivência de um determinado fenômeno e o agrupamento de tais experiências, de forma a retratar

ÓrbitaLIS n.13: Cibertariado

Ethics for Indian Cybertariats O artigo pretende destacar preocupações determinantes no progresso da democracia indiana, “a maior democracia do mundo”, a partir de um olhar sobre a nova classe trabalhadora chamada “cybertariat”, ou cibertariado, que busca a Inclusão em meio aos relacionamentos intrincados de Religião, Experiência e Linguagem. Os desafios éticos no caminho para a “digitization”. Fonte: IRIE – International Review of Information Ethics (dez. 2016) Ethical Concerns of Human-Being, Cyber-Being and Cybertariat: An Educational Perspective Uma abordagem educacional do que dizem respeito ao aprendizado e ensino da ética para o “ser humano”, “ciber-humano” e o “cibertariado”, traçand

Da paisagem simbólica: organização dos saberes e as formas simbólicas

Retomemos pois aquilo que o “neodocumentalismo”, à primeira vista, repostula para a CI: a “materialidade”. Em geral, na direção contrária ao Fedro (PLATÃO, 2000), a Organização dos Saberes se estabelece tomando a oralidade como perigosa, no sentido de impossibilitar a “matéria registrada”, enquanto o “livro” possibilitaria a transmissão da memória. A questão dos riscos da transmissão da mensagem oral – que é alertada por Lund (2009) – por conta da efemeridade de sua “materialização volátil”, nada tem de risco maior do que as inúmeras interpretações que um só documento pode receber. É isto que uma noção de “materialidade” que tratamos aqui procura alertar: não é a “materialidade” (fisicalismo

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Destaque da semana ‘Incredibly rare’ William Caxton print discovered Duas páginas datadas de cerca de 1470, impressas por William Caxton, tipógrafo que trouxe a imprensa para a Inglaterra, foram encontradas nos arquivos da biblioteca da University of Reading, no mesmo país. Acredita-se que os textos impressos, de conteúdo religioso, fazem parte dos primeiros materiais feitos por Caxton com a prensa. BBC News – 09.05.2017 Ásia China to guide the development of online literature O Communist Party of China, em parceria com o China Writers Association, está desenvolvendo um projeto de incentivo à literatura online na China. O Partido tem como intuito guiar e apoiar obras voltadas para temas jove

A transexualidade na literatura científica das Ciências da Saúde

Organização do Conhecimento e Gênero: dimensões epistemológica, aplicada e sociocultural *** 15 de maio de 2017, segunda-feira, 9 - 18h Local: Auditório da Escola de Enfermagem da Unirio Rua Doutor Xavier Sigaud, 290 / 2o andar - Urca - Rio de Janeiro *** Entrada gratuita Inscrições no local *** Organização: COEPE IBICT Apoio: PPGCI IBICT UFRJ; PPGB UNIRIO; CNPq; FAPERJ Colaboração: Escola de Enfermagem - Unirio; Organizadores: Profa. Dra. Rosali Fernandez de Souza (IBICT); Prof. Dr. Gustavo Silva Saldanha (IBICT - UNIRIO) Contatos: coloquiosoc@gmail.com ; (21) 3873 9458 ***

Movimentos micrologológicos: Suzanne Briet e o fabuloso antílope

Aproximemo-nos de Frohmann (2011) para avançar sobre as interpretações que o “neodocumentalismo” nos propõe. Não é a instituição que indexa isoladamente documentos produzindo novas informações, ela já é um outro “indexador simbólico do simbólico”. Em primeiro lugar, nossa própria linguagem, rearticulada com cada “fronteira” de territórios institucionais, “reindexa” permanentemente – é por isso que uma “indexação” (a prática do catalogador de assuntos ou especialista de linguagens documentárias) sempre guardará diferenças se realizada sobre o mesmo documento em tempos diferentes. Não indexamos na instituição, mas na sua “fronteira provisória”: pois o caráter simbólico, a teia que nos cerca, n

Visibilidade social de pessoas transgênero e sistemas de organização do conhecimento

Organização do Conhecimento e Gênero: dimensões epistemológica, aplicada e sociocultural *** 15 de maio de 2017, segunda-feira, 9 - 18h Local: Auditório da Escola de Enfermagem da Unirio Rua Doutor Xavier Sigaud, 290 / 2o andar - Urca - Rio de Janeiro *** Entrada gratuita Inscrições no local *** Organização: COEPE IBICT Apoio: PPGCI IBICT UFRJ; PPGB UNIRIO; CNPq; FAPERJ Colaboração: Escola de Enfermagem - Unirio; Organizadores: Profa. Dra. Rosali Fernandez de Souza (IBICT); Prof. Dr. Gustavo Silva Saldanha (IBICT - UNIRIO) Contatos: coloquiosoc@gmail.com ; (21) 3873 9458 ***

SOBRE A CONSTRUÇÃO E A DESCONSTRUÇÃO DO CURRÍCULO ESTADUNIDENSE DE LIBRARY AND INFORMATION SCIENCE

Com o surgimento dos Estados Unidos como um centro global de influência sobre o desenvolvimento do campo informacional, torna-se natural o interesse geral pela constituição curricular dos cursos comprometidos com o ensino de Biblioteconomia e Ciência da Informação nesse país. Um possível exercício de análise e comparação da estrutura curricular nos EUA encontrará no trabalho de Guy A. Marco (1994) relevantes considerações a respeito da estruturação dos programas de Library and Information Science. Em sua análise de 47 programas da área oferecidos nas instituições educacionais norte-americanas, o autor verifica a ausência de um núcleo de conteúdos obrigatórios, que era garantido nos currículo

A representação da mulher em linguagens documentárias: aspectos machistas na organização do conhecim

Organização do Conhecimento e Gênero: dimensões epistemológica, aplicada e sociocultural *** 15 de maio de 2017, segunda-feira, 9 - 18h Local: Auditório da Escola de Enfermagem da Unirio Rua Doutor Xavier Sigaud, 290 / 2o andar - Urca - Rio de Janeiro *** Entrada gratuita Inscrições no local *** Organização: COEPE IBICT Apoio: PPGCI IBICT UFRJ; PPGB UNIRIO; CNPq; FAPERJ Colaboração: Escola de Enfermagem - Unirio; Organizadores: Profa. Dra. Rosali Fernandez de Souza (IBICT); Prof. Dr. Gustavo Silva Saldanha (IBICT - UNIRIO) Contatos: coloquiosoc@gmail.com ; (21) 3873 9458 ***

ÓrbitaLIS: um passeio pelas info-instituições nacionais e internacionais

Trust, Technology and Requisite Variety O artigo trata do Estado Cibernético, que usa a cibernética para criar "uma sociedade melhor para todos", a partir de uma plataforma de liberdade e responsabilidade individuais, que preza pelo bom uso dos computadores. Isto seria possível graças a uma maior transparência que possibilite maior contribuição das pessoas para a nova ordem social. Fonte: IRIE – International Review of Information Ethics (dez. 2016) RDAP Review: Data Science in Libraries O artigo de Matt Burton e Liz Lyon fala dos papéis que terão os bibliotecários diante do “novo campo da data science” e seus desenvolvimentos futuros. Partindo do relatório publicado pela Big Data and Resear

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