A ENCADERNAÇÃO PARA VALORIZAÇÃO DO LIVRO ANTIGO COMO BEM PATRIMONIAL NO MÉXICO

Considerado um elemento de inquestionável eficácia para a construção da memória humana, o livro antigo carrega em suas características individuais um quadro resultante do contexto em que foi produzido, como os aspectos sociais, econômicos, políticos e culturais de seu período. A encadernação, em sua função de conservar e proteger o conteúdo textual, pode ser analisada em sua multiplicidade, nas versões mais simples às verdadeiras obras de arte, que variam de acordo com o contexto de produção e de posse dessas obras ao longo do tempo.

É essa materialidade, externa de qualquer análise do livro visto sob a perspectiva de seu texto, que é capaz de oferecer uma outra fonte informacional – uma historicidade particular da obra, que a diferencia de outras e pode oferecer à obra em questão um valor inestimável e único. Assim, para além de um simples elemento “acessório”, a encadernação deve ser vista como parte indispensável para a realização do estudo bibliológico.

A partir da segunda metade do século XX, foi iniciada uma busca para compreender o livro por seus elementos históricos, o contexto cultural herdado pelo objeto. Destaca-se de tal modo a importância da conservação da obra como um bem patrimonial que precisa ser protegido. Os autores defendem que o livro como objeto depende de um "funcionamento harmonioso" entre seus componentes para que seja cumprida sua função de guardar a memória, tanto textual quanto a memória material – que remete à época em que o livro foi concebido até o momento de sua atual conservação.

No México, os impressos antigos atualmente conservados em bibliotecas não apenas foram produzidos no território da “colônia novohispana”, como também existem edições europeias capazes de ilustrar importantes intercâmbios culturais. Entretanto, é observado que essa riqueza cultural não recebe a devida importância no país. Entre os problemas encontrados, são apontados a escassez de registros e inventários que descrevam adequadamente essas coleções e o pouco valor social que o livro e a biblioteca possuem no México, o que dificulta as discussões nacionais acerca do valor patrimonial do livro antigo. Renegado a um segundo plano, o interesse tradicional em preservar o conteúdo textual do livro acaba por deixar de lado os elementos de sua materialidade, sua informação enquanto “objeto arqueológico”.

Entre as reflexões propostas pelo estudo, observa-se a carência de uma bibliografia nacional resultante da demanda de estudos nessa área, capaz de destacar a importância das encadernações mexicanas como patrimônio cultural e revelar quais diálogos podem ser estabelecidos entre essas coleções e as de outros países. Para as bibliotecas, é preciso repensar as formas de registro e descrição bibliográfica dessas obras, a fim de diferenciá-las de maneira adequada e considerar suas particularidades no processo de representação documentária. Paralelamente, o reconhecimento como um bem cultural implica considerar a conservação e restauração das coleções tendo por base os diferentes tipos de encadernação que as caracterizam. Existe, portanto, a necessidade de um estudo multidisciplinar que possa compreender e verificar o melhor caminho a ser seguido para que o livro antigo seja preservado, pelo seu conteúdo e por sua materialidade, para as gerações posteriores como herança cultural do país.




COMPIANI, A.; GARCÍA, I.; VELASCO, T. La encuadernación del impreso antiguo en México: reflexiones sobre un problema de conocimiento patrimonial. Investigación Bibliotecológica, México, v. 20, n. 40, p. 53-72, jan./jun. 2006.



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