PUBLICAÇÃO DE LIVROS NO EGITO: notícias do Oriente Médio

No Brasil, pouco se sabe sobre o desenvolvimento da área da informação e da Biblioteconomia no Oriente Médio. Uma rica fonte de estudos sobre o desenvolvimento do campo informacional na região pode ser encontrada nos arquivos da MELA, Middle East Librarians Association, ou Associação de Bibliotecários do Oriente Médio. A Associação, que se apresenta com objetivos como promover a qualidade do campo biblioteconômico, compilar e disseminar a informação sobre bibliotecas e coleções do Oriente Médio, bem como promover a cooperação entre instituições da área, oferece em seu endereço eletrônico (http://www.mela.us/) um profícuo material produzido a respeito do tema.

Entre os artigos e outros trabalhos reunidos nas publicações da Associação, encontra-se a contribuição de Ragai N. Makar (1996), que permite conhecer o cenário editorial do Egito nos anos 1990. Um panorama geral do público leitor egípicio, bem como as particularidades da composição dos setores editoriais público e privado e as dificuldades enfrentadas neste meio são oferecidos ao leitor, de modo a introduzi-lo às questões que se colocam no universo egípicio dos impressos.

Segundo Makar (1996), a pesar de a difusão cultural no Egito dos anos 1990 não ter mais como base exclusiva os impressos, os livros permaneciam centrais na difusão do conhecimento no Egito. Parte do mercado editorial seria, contudo, dependente do sistema educacional, visto que cerca de 40% dos livros publicados eram didáticos, conforme apontam os dados coletados à época da pesquisa e disponibilizados no artigo. Como fator limitante às empresas editoriais destaca-se a taxa de literacia ou alfabetização. Segundo dados de 1992 constantes no artigo de Makar (1996), A taxa de analfabetismo de egípicios com 15 anos ou mais era de 37% entre os homens e 66 % entre as mulheres, totalizando 52% dos indivíduos nesta faixa etária. Conforme ressalta o autor, um baixo índice de leitores significa limitação e altos custos para a publicação, o que na prática implica disponibilidade de livros para um número reduzido de pessoas. Outros desafios como a pirataria, a legislação referente aos direitos autorais, a censura, a falta de profissionais capacitados, conflitos entre editores e a crise dos materiais de impressão marcaram o cenário editorial egípio no final do século XX.


Fontes:

MAKAR, Ragai N. Book publishing in Egypt its Politics and Economics. MELA Notes, n. 63, p. 20-29, spring 1996.

MELA: Middle East Librarians Association. Connecting Middle East Librarians globally. Disponível em: <http://www.mela.us/>. Acesso em: 26 abr. 2017.

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