GLOBALIZAÇÃO DA BIBLIOTECONOMIA EM SAÚDE NO INÍCIO DO SÉCULO XXI: temáticas, iniciativas e prospecçõ

Com a intensificação do processo de globalização surgem preocupações e interesses transnacionais ao mesmo tempo em que diversos campos de atuação profissional se expandem para além das fronteiras de países. Dentre estas novas demandas de âmbito internacional está a questão da Saúde Global, e dentre os profissionais que vislumbram nova conjuntura favorável ao trabalho de cooperação estão os bibliotecários. Conforme apontam Madge e Plutchak (2005), com o desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação a Biblioteconomia em geral e mais especificamente a Biblioteconomia em saúde contam com novas oportunidades de atuação e evoluem em temas emergentes que abarcam as novas necessidades do cenário global a partir da perspectiva informacional. É tendo em mente estes novos espaços que Madge e Plutchak (2005) reúnem experiências e temáticas com o intuito de apresentar os desenvolvimentos da Biblioteconomia internacional especializada em saúde ao início do século XXI.

Entre as principais questões de âmbito internacional que despertam o interesse de profissionais da informação em saúde está o suporte aos países em desenvolvimento. Nesse sentido devem ser sublinhadas as experiências de cooperação entre bibliotecas em faculdades de medicina de países desenvolvidos com as bibliotecas universitárias em países em desenvolvimento. O movimento de acesso aberto a publicações científicas também reverbera no campo da Biblioteconomia em saúde, assim como os desenvolvimentos tecnológicos que impactam diretamente o acesso à informação. (MADGE; PLUTCHAK, 2005).

Entre as organizações atuantes internacionalmente em prol da Biblioteconomia em saúde na primeira metade dos anos 2000, segundo Madge e Plutchak (2005), destaca-se a IFLA, representante dos bibliotecários e profissionais da informação no cenário global, que àquela época já contava com um grupo de interesse especial focado em saúde e biociências, bem como promovia congressos, workshops e a comunicação entre bibliotecários interessados na área. A European Association for Health Information and Libraries (EAHIL) também é apontada como uma organização de destaque, que objetiva não apenas impulsionar a cooperação entre as bibliotecas de saúde, o aperfeiçoamento de bibliotecários europeus e a realização de conferências, mas também representar a comunidade destes profissionais perante instituições europeias e a Organização Mundial de Saúde. A Association for Health Information and Libraries in Africa (AHILA), por sua vez, constitui importante organização para Biblioteconomia em saúde no continente africano, promovendo o acesso e o compartilhamento de informações, bem como atuando conjuntamente com outros parceiros em diversas partes do mundo. Outra organização de vulto na área é a Medical Library Association (MLA), que, entre outras iniciativas importantes para a difusão da informação em saúde, publica o Journal of the Medical Library Association (JMLA), de grande relevância para a Biblioteconomia em saúde. Algumas associações nacionais com projeção internacional também são destacadas como importantes no contexto da globalização da health librarianship: é o caso do Chartered Institute of Library and Information Professionals (CILIP), do Reino Unido, da Canadian Health Library Association/Association des Bibliothèques de la Santé du Canada (CHLA/ABSC), bem como da ALIA Health Libraries Australia.

Além das associações e organizações essencialmente ligadas à questão da informação em saúde, Madge e Plutchak (2005) apontam a Organização Mundial da Saúde como importante contribuidora para o desenvolvimento de bibliotecas na área. A Organização Pan-Americana de Saúde e a BIREME (originalmente Biblioteca Regional de Medicina e hoje Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde) também se distinguem na promoção da informação tanto no contexto regional como global, propiciando o acesso à informação em saúde e importantes encontros internacionais em favor do desenvolvimento do campo.

Por fim, concluem Madge e Plutchak (2005) que a infraestrutura organizacional proporcionada pelas associações de bibliotecas é de grande utilidade para o desenvolvimento de atividades e programas de cooperação em âmbito internacional. O novo contexto global marcado pela crescente interação entre os países propicia a aproximação dos profissionais da informação no trabalho pela disponibilização e difusão do conhecimento científico. Assim, bibliotecários e cientistas da informação que estiverem atentos à dimensão internacional do campo informacional encontrarão oportunidades de desenvolvimento em conjunto com profissionais em outras partes do mundo com a perspectiva de resultados positivos e benéficos para os contextos local, nacional, regional e global.

MADGE, Bruce; PLUTCHAK, T. Scott. The increasing globalization of health librarianship: a brief survey of international trends and activities. Health Information and Libraries Journal, 22, Suppl. 1, p. 20-30.

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