Experiências de leitura em comunidades multiculturais: um estudo canadense

A multiculturalidade se apresenta como uma questão contemporânea de grande relevância em um momento marcado por interações culturais frequentes e intensas e também por conflitos que surgem como desdobramento de tais contatos. Neste contexto, ou seja, em meio às sociedades para onde convergem inúmeros indivíduos provenientes dos mais diversos países e que carregam as mais variadas bagagens culturais, neste pano de fundo também se inserem e se desenvolvem as práticas bibliotecárias.

Dali (2016) fornece seu ângulo particular para a observação das práticas de leitura no contexto das sociedades multiculturais, destacando a relevância das experiências individuais nos estudos no campo da leitura. Para Dali (2016), a perspectiva das histórias pessoais de leitores imigrantes pode contribuir para o trabalho de bibliotecários que lidam com comunidades de indivíduos que vivem e buscam se adaptar à vida em outro país, proporcionando uma maior compreensão a cerca do comportamento e das preferências dos usuários, além de contribuir para o estabelecimento de relações com estes grupos específicos.

De modo geral, o artigo da autora, baseado em um conjunto de informações selecionadas a partir de um estudo de doutorado, apresenta brevemente esta perspectiva específica dos relatos pessoais como “suplementares” aos agregados de dados, às estatísticas anônimas, focando em seguida em uma amostra utilizada em suas pesquisas, composta por leitores falantes de russo residentes no Canadá. No percurso de suas narrativas, Dali (2016) apresenta os relatos dos entrevistados que desvelam os processos individuais de aquisição do hábito da leitura, da descoberta do prazer em tal atividade e as singularidades de cada leitor. Seu trabalho aponta e demonstra que os relatos individuais permitem não só uma visualização das particularidades de cada história pessoal mas também uma aprendizagem intercultural (DALI, 2016).

Para a autora, os estudos sobre hábitos de leitura contribuem para a identificação de tendências e preferências dos leitores. De modo geral, a suplementação das pesquisas estatísticas por meio do relato pessoal permite a emersão do elemento humano nos estudos sobre o tema, elucidando contextos de leitura singulares que contribuem para um melhor entendimento das práticas leitoras (DALI, 2016, p. 530). Despontando em um momento delicado em que sociedades multiculturais vivenciam desafios que dizem respeito à convivência com o outro, o trabalho de Dali (2016) reforça uma perspectiva que valoriza a empatia como elemento de grande relevância no contato entre bibliotecários e imigrantes e no atendimento às necessidades de informação destes indivíduos.

Fonte:

DALI, Keren. Readers' histories as a way of studying and understanding multicultural library communities. Library Review, v. 65, n. 8/9, 2016, p. 519-534.

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