Notas críticas sobre a Tese dos Três Mundos de Popper

Entre os dias 22 e 24 de novembro, a Universidade de Brasília (UnB) sediou o X Seminário Hispano-Brasileiro de Pesquisa em Informação, Documentação e Sociedade, em parceria com a Universidad Complutense de Madrid (UCM). Em formato remoto, com transmissão ao vivo no Youtube, o encontro reuniu pesquisadores de diferentes localidades e instituições para intercâmbio científico segmentado em cinco eixos temáticos: 1) Memória, Preservação Digital e Humanidades Digitais, 2) Gestão da Informação e Organização do Conhecimento, 3) Políticas de Informação e Agenda 2030, 4) Informação e Sociedade: sustentabilidade e direitos humanos e 5) Competência em Informação, Alfabetização midiática e informacional.


O Ecce Liber esteve presente na Coordenação Executiva e no Comitê Científico, representado pelo prof. Dr. Gustavo Saldanha, e também como participante do eixo sobre Gestão da Informação e Organização do Conhecimento, onde Fernanda Valle (PPGCI IBICT-UFRJ), Vinícios Menezes (UFS) e Gustavo Saldanha (IBICT-UNIRIO) apresentaram o trabalho intitulado "Notas críticas sobre a Tese dos Três Mundos de Popper: um olhar da Ciência da Informação para o conceito de autonomia".




O artigo propõe uma reflexão teórica sobre a epistemologia popperiana a partir das inquietações advindas dos estudos críticos informacionais aplicados ao Transtorno do Espectro Autista (objeto de pesquisa de Fernanda Valle) e à filosofia ameríndia (foco de investigação de Vinícios Menezes), projetos orientados e supervisionados por Gustavo Saldanha, nos últimos anos.


As autorias avaliam o conceito de conhecimento objetivo a partir da noção popperiana de terceiro mundo autônomo onde se situam, no entendimento do filósofo, os produtos do "Espírito" humano, como a linguagem, base do universo bibliológico. No escopo da Ciência da Informação, Bertram Brookes se apoiou na tese popperiana quando propôs uma equação matemática para mapear e quantificar as relações cognitivas entre sujeito e Sistemas de Organização do Conhecimento, mantendo, de certa maneira, a ideia de conhecimento objetivo.


Recentemente, o pesquisador Claudio Gnoli retornou com a Tese dos Três Mundos popperiana à pauta ao tentar uma conciliação entre as correntes cognitiva e social da CI, introduzindo o conceito de mentefato, isto é, criações mentais que se cristalizam e se autorreproduzem em contraste aos artefatos, frutos da manipulação da natureza e que se perpetuam como objetos fisicamente constatáveis. Contrárias à perspectiva de uma epistemologia sem sujeito cognoscente, as autorias recuperam a análise sócio-histórica de Solgange Mostafa, a abordagem crítica sobre tecnologia, de Álvaro Vieira Pinto, e a ideia de "mundo vivido", de Don Ihde, para dissertar sobre intencionalidade, neutralidade tecnológica e inteligência artificial. Nesse link, você pode conferir a apresentação completa e aqui, o debate entre pesquisadores durante a transmissão do GT.


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