Vive le livre!




Há livros que nos são apresentados na infância e carregamos em nossa memória afetiva. Há os que nos instigam a relê-los. Há livros que dividiram o tempo em antes e depois. Livros que moldaram o pensamento religioso e metafísico. Temos ainda os livros que persistiram no tempo. Livros que estruturaram a ciência moderna em sua história considerada como oficial.


Há os livros que desejam reunir todos os saberes produzidos ou organizar saberes especializados, como as enciclopédias. Livros que estruturam as palavras de uma língua. Livros que justificam e embasam campos científicos. Há os livros que deixamos incompletos. Os que jamais conheceremos a existência por terem sido queimados na história de diversas bibliotecas. Livros dos quais apenas fragmentos conhecemos. Livros que jamais foram escritos, mas existiam em sua potência criadora de saberes marginalizados e foram apropriados por outros tipos de livros.


Livros transformados em filmes. Livros que compõem a identidade de uma nação; que retratam um período histórico; que sintetizam a vida e obras de pessoas.



Livros que falam de amor, lutas e dores - em prosa ou verso. Livros chancelados como obrigatórios, obras-primas ou de subversão. Livros que falam sobre livros. Mas, afinal, o que é o livro?


Essa é a pergunta que não se exaure na concepção ecceliberiana de Livro. A travessia parte do tratado otletiano de documentação – um partir também em retrospecto a Gabriel Peignot, Emanuele Tesauro, Aristóteles e Platão – para refazer os passos das biobibliografias e cartografias conceituais que configuraram a Ciência da Informação contemporânea, com suas tessituras, tensões e exclusões.

Ecce Liber, eis o livro. Qual livro? Livro como metáfora, que não se resume ao códice vegetal, mas se refere ao grammateîon “que engendra em sua potência a dimensão escritural do discurso, traçado (ou não) sobre a superfície ordinária da “pedra-tela” (rasum tabulae)” (MENEZES, 2017, p.19); objeto que se constitui de linguagem. Linguagem que atravessa enunciado, revela pensamento, elabora formas, símbolos, conceitos e sentidos. Os livros são muitos, mais do que a história documentada pode conceber. Eis a política. Eis a linguagem. Linguagem que estrutura sistemas e políticas e que, por ela, também são reestruturados. Linguagem que comporta leitura, mediação autor-leitor. Entre leitores. Objeto-livro. Livro-objeto. Livro como informação e documento. Murais coletivos. Informe no corpo. Livro como saber; saberes - de quem e para quem? Eis a ciência do livro. Na data de hoje, celebrada como o Dia Mundial do Livro, suscitamos as perguntas que orientam nossas pesquisas. Seja como conceito, objeto ou metáfora, o livro é revolucionário e conta a nossa história, como Humanidade, em diferentes dimensões. O que já publicamos sobre o assunto? Consulte a página “Publicações” de nosso site – sem moderação.

Agora que você chegou até aqui, nos diga: que livro mudou a sua vida? Compartilhe a resposta em nossa página no Instagram: @ecceliber. Trabalha com pesquisa científica e já publicou sobre o assunto? O diálogo é bem-vindo!

Viva o livro! Le livre. Defenda o livro... Livre.




Referência:


MENEZES, Vinícios S. Rasum tabulae: um limiar metafórico-escritural dos estudos da informação, ou, Le Livre. 306 f. 2017. Tese (Doutorado em Ciência da Informação) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia, Rio de Janeiro, 2017.




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